Sou o que sou

Minha foto
Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou

domingo, 19 de dezembro de 2010

Despedida (em 7 notas mudas, não tocadas)



Absorvo a palavra inerte d’um credo extinto
pregada nas tábuas rotas do cais salobro
o sabor da fúria do que sinto, vejo e minto
nunca houve diálogo tão sem verve, ao dobro
[Quimeras d’água salgada esperneiam...]

Sinto o quadrangulo de um sóbrio quarto
inspirando o que deste vento ameno assopra
e leva as sementes a quem amargamente, as evoca
envelhecidos tonéis embarcam, eu parto...
[aplausos !...a platéia delirante aguça a sanha]

Mentes que antes se esvaeceram em sólidos medos
ora se transmutam em gases pífios e forçam o poema
que se esforçam em driblar a ferro, os tiques e toques
nas masmorras forradas de poeira de corpos e lemas
[o quinteto executa a saga de um cristal quebrado]

Tão eloqüentes enquanto se calam, cenas gritam
aos uivos incrustados nas grossas lágrimas retintas
fingem o açúcar mais doce, quando amargo soam
e dançam píncaros exaustos de lamentos crus
[alianças tilintam nos ladrilhos dos palácios]

Linhas paralelas se cruzam num possível inexistente
conjugam o (des)verbo do absurdo inconsciente e nulo
onde retinas jazem ao véu de discursos obsoletos,
e se distanciam em árduas esquinas plantadas em muros
[as maçãs caem de seus fracos arbustos e poluem]

O que os gestos retalhados, navegam aos seus cumes ?
Invocam rezas e canções idolatradas incólumes
miram ao longe, tão perto quanto possam arremessar
sufragam em sonhos descomedidos e disformes
[as gruas se afastam e apontam o esplendor do caos]

Expressões de ira, iradas aprontam as miras e atiram...
os devaneios dos anjos dizem “assim seja para sempre”
Tombam as exéquias em posição vertical, no horizonte
Braços abertos acima, se esquivam do ritual e do centro
[o pano fecha...o teto desaba...as portas são lacradas...]

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Naquela casa...


Naquela casa tive as primeiras dores,
amei e sofri, pelos primeiros amores...
Foi naquela casa que aprendi a oração
e para quem, onde e quanto pedir perdão
aprendi como se deve cair e me levantar
abaixar a cabeça, mas nunca me arrastar
a tocar piano, comer ovo frito e giló
a curtir o mau tempo, aqueles com vento
com bolinhos de chuva e canela, da vovó...
aprendi a chorar baixinho, coração apertado
à discussões efêmeras de meus pais,
por lutarem por meu futuro esperado...
Naquela casa, aprendi a acordar muito cedo
encarar a vida sem nenhum medo
enxerguei quem eram os verdadeiros amigos
corri de tempestades, desfazer as más vaidades
sempre à serenos braços abertos, como abrigos...
Naquela casa vivi meus mais belos sonhos
aprendi a lidar com pesadelos estranhos
recebi carinhos e ensinamentos tamanhos
ah !...que saudade de tão bons tempos d'antanho
s..."



(dedicada cordialmente à cara amiga Cristina Valente
que sugeriu o tema no FB...)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

sombras


tenho um lado vil
assim, meio servil
que faz muito alarde
porque é mais covarde

um lado falso
completamente canalha
que ajuda empurrar,
vestindo a mortalha,
o inocente do cadafalso

um lado que espezinha
sorri à navalha cortante
se achega sempre distante
astuto se acerca, se avizinha...

um todo tanto obtuso
de um sorriso escabroso
que usa sempre o abuso
e se lastima medroso

um lado que fede perfume
maquia com betume
disfarça a pele flácida
e se mantém plácido
ao cheiro do curtume

de pura peçonha
que baba na fronha
só tem pesadelos
de arrepiar os pelos
e finge que sonha...

um lado de unhas sujas
mãos sempre meladas
carimbos de garatujas
obras perenes e inacabadas

eternamente infame
que só se dá ao reclame
que se esconde na noite
acaricia com açoite
e provoca o enxame

um lado tanto gelado
que se esgueira de lado
com porte adequado
nunca certo, todo errado
excêntrico , marginalizado...

um lado soberbo
por roubado acervo
com perfil escuso
de empáfia sórdida
nunca concluso
e polidez mórbida...

tenho um estranho lado
meio tudo, meio nada
personagem disfarçada
sempre camuflado
meio assim, meio assado...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Container




9.677.087.198.211 de humanos
57.004.869.850 metros de panos
458.987.634.589 de tratores
5.768.798.679.8034 de pastores
6.634.230.443.780 defensores
2.111.674.075.230 desertores
87.658.640.089.674 de igrejas
98.977.886.734 pés de cerejas
17.897.784.367.839 de padres
897.867.900.034.568 de catres
457.890.900.897.867 de bois
78.679.089.245.343 de lençóis
66.758.453.423.908 de louros
879.563.342.398 litros de agouros
4.456796.756.432 de doutores
9.895.643.289.789 de opressores
6.789.469.837 de litros d´água
289.678.990 de metros de anáguas
786.342.897 de kilos de mágoas
8.978.765.678 toneladas de comida
6.789.689.768.899 de feridas
23.897.851.009 kilos de alimentos
56.459.087.745 metros de tormentos
1.128.970.967.594 kilos de excrementos
567.897.564.590 de distintos
336.758.907.890.987 de famintos
56.789.089.398 de banidos
1.123.897.850.987 de bandidos
459.809.897.890 de peixes
90.897.878.923.498 de feixes
3.456.879.809.832 de cemitérios
11.298.579.049.875 de adultérios
3.546.768.976.509 de significados
55.678.908.978.645 de humilhados
19.827.837.967.867 metros de ignorância
987.654.908.767.564 litros de ganância
7.345.423.567.089 de irreverência
6.786.756.459.089 kilos de interesse
1.978.678.907.683 toneladas de estresse
8.975.633.340.098.970 de paixões
9.878.534.445.289 de litros de ilusões
678.967.890.743 de caixões
30 kilos de humanidade
15 litros de solidariedade
10 kilos de bondade
200 gramas de caridade
25 segundos de tempo restante
misericórdia, nunca o bastante...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

“Harpa é uma asa que toca” (*)


Depende de como se foca
harpa é uma asa que toca
meio assim, meio assado
nem muito de frente
nem meio de lado
como se outro ponto de vista
do gosto de quem assista
uma foca morasse numa toca !
...e um grande mar todinho
seja bem pequenininho
e dentro dum pequeno ninho
uma enorme onda, desemboca...

depende de como se toca
a harpa pode ser de quem foca
como se toda asa
deixasse todo ar que vaza
e mostrasse que apesar de oca
toda toca sempre acolhe,
nos encanta e nos recolhe
como o calor de nossa casa...

depende de como se enfoca
a harpa é uma pequena asa
que fica em toda casa
do coração de quem se toca...


(*- esta frase, que deu o "start" à pretensa poesia, é uma das célebres frases retiradas dos exames do Enem.É claro que, academicamente falando, nos parecem sempre "absurdas" as respostas, contudo por vezes, vem carregadas de verdades e de extremo lirismo, o que vem mostrar ao meu ver, que todo o estabelecido, por mais exato que possa parecer, mostra apenas uma vertente do fato, do objeto ou do senso.Um pouco de anarquia não faz mal a ninguem...)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Soneto da manhã perfeita


Pontilho um coração à testa
com a ponta de meu polegar
fiz do sinal da cruz uma festa
ao ilustrar no rosto, meu avatar

oh ! sublime e doce candeeiro
traça tua luz divina e santa
faça-me viver por ti, inteiro
e lutarei como quem canta

Acenderei uma leva de velas
entoando melodias, as mais belas
às mãos juntas, subirei ao mosteiro

Levanto-me de meu leito, agora
aprumo-me de jeito, sem demora
como tudo fosse, o dia derradeiro

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

estranhas entranhas ( Píer 55)


o que vai a mim, não sou eu
o que está em mim, se perdeu...
o que faz tão largo,
este residente amargo ?
por que o que me arvora,
incólume, me devora ?
o que vem de mim, não é meu
o que passa por mim, esvaeceu...
por que este âmago latente
que finge, morre em mim,
e mente ?
o que pesa em mim, corroeu
o que leva de mim,
dentro, e perto, e centro
estremeceu...
por que e onde d’essa ânsia,
que já é fulcro e reentrância ?
por que o que preso, excreta,
e me assola, e se decreta ?
o que jaz por mim, já viveu
o que vive em mim, já jazeu
o que foge de mim, pariu
o que queima de mim
já esmoreceu...
o que longe de mim, partiu
o que próximo de mim,
nada mais aconteceu...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ventania


as pedras cinzas
estão inertes e frias
sobre os dormentes
petrificados em óleo
escorrido de um tempo
marcado pelo caminho
árduo e redundante...

as rosas angelicais
já não perfumam mais
os anjos rosáceos...

olhares perdidos
cansados do tanto
e quanto ferido,
aglutinam-se
no esperar de um
amanhã que tarda
em chegar
e claudica a andança...

as rosas ornamentais
já não denotam mais
os anjos corados...

o perfume embaçou-se
no espelho esborrifado
a moldura dourada
descascou-se em linho
pérfido e gentil
e trouxe a mágoa
das almas espremidas...

as rosas orientais
já não propagam mais
os arcanjos umedecidos...

assim como se morre,
perpetuam-se os laços
entre corações que ardem
labaredas aquosas
sinuosamente lentas
e decadentes toscas
dos ventos parcos, secos...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

mea culpa


O que amalgama esta lúgubre bílis
ex-corrida mente tesa e afoita
amargo corte retro-perfilado
pré-ocupado, amargo destilado
daquele lado esquivo e pardo
de todo olhar que brilhe em íris
responde e, do prelo, esconde
prende e ascende descabido
libido pende, escura caserna
como laço de perna, aderna
nada inibido, fato traiçoeiro
reteso em ubre embutido...

a forca que afoga e abafa a toga
a força que atola e acaba em voga
céu de cadências indecentes
fátuo fogo que arde inclemente
expele o rubro ácido sêmen
dos que nada tem e temem
ressurge docemente em cadeia
no epitélio nacarado dos homens
nada humanos, desumanos
mundanos...

argamassa vil de sombras delineadas
águas rasas de escombros perfilados
o que devora, vomita antes da hora
o que estupra, regurgita e cospe fora
oh ! expiação dilacerante que atordoa...
singra em sangue pisado,todo escarro
escravo de mim mesmo, jaz ao barro
sente o repulsar desta vida à toa...
o que me matará, agora adoça
o que vinga, mesmo que ventania
de qualquer timo amargo, e alegoria
de outrem, retirante talvez possa...

o que este ventre encharcado lambe
é o veneno que fará que certo tombe...
oh! concupiscência vicejante e podre
desprenda-te do meu pouco inda nobre
que lateja, mesmo que no parco átrio,
e de teus segredos infames, zombe...

sábado, 14 de agosto de 2010

muito lok...


a morte ou a sorte,
não tem porte de arma
nem sequer passaporte
aqui está a questão
de karma ou darma
minhas mágoas vestem anáguas
na santa ceia não tinha seios
tem um naco dum taco
dentro dum treco
no beco do macaco
muito louco é pouco
atiraram no filho do Porfírio

corrupção, corro pra ação
eu nado vestido de nada
parido pelo par ido
que não volta de volta
já, mais nem, falo jamais
tenho a impressão
que não tenho coração
sem mentes pintadas
coradas de tesão
muito menos um
fígado fidalgo
figo podre dum algoz
que estúpida mente
anda atrás do mágico de Oz ?

morro de tédio do seu assédio
quando subo o morro de gorro
agarro seus pêlos
pêlos seus, pelos meus,
pelos nossos cotovelos
o creme derramado
do derradeiro amado
dedou o crime
apontou o dedo em riste
cave sua paz com suas pás
e não desiste dessa
vitamina anfetaminana

será pião de obreiro
quando o beijo do boiadeiro
for da bóia ao brejo ?
torniquete de cérebro
massa de tomate ambulante
antes que sólido fique
solidifique a massa andande
ma non troppo
mergulhei no orgulho
gorgulho escroto de esgoto
Fiat lux de suborno
sub morno debulho
o filho do Andrada saiu na parada
muito louco está solto
morreu de tédio, a poesia
sobrou o médio,a anestesia
afogada na pós-maresia
de um mar tentáculo revolto
em melancólica nostalgia
só digo os códigos
de qualquer alegria
muito louco é pouco...

domingo, 1 de agosto de 2010

verossímil


tuas linhas
teu sorriso
teu rosto
e teu toque [que nunca tive, nem ainda e nunca...]

fogem-me à memória...

o que me resta é um torpor
do não feito
do não provado
do sim refreado [que deveria ter tentado...]

vejo ainda que tênue
em ângulo obtuso
um leve alvitre
revelado em preto e branco,
qual foto que admite

de um sólido sorriso
entre olhos
nossos, geométricos
entre um e outro, aviso
[que se disseram possíveis...]

tomam-me à euforia
sentir o que senti, de novo
somente em mente
próspero de alforria

verossimilhança
d’uma infinda dança
nunca dançada, semi-inacabada
[como sinfonia sincopada...]

sexta-feira, 30 de julho de 2010

hoje é Domingo !


hoje é domingo, a tarde tem bingo
se tiver sol, vira até um futebol
em Sampa, tudo encanta
dia de “macaroni con braciola”,
e ninguém precisa ir pra escola !

na Paulista, até onde alcança a vista
dá pra andar “de a pé”
do Trianon, até a praça da Sé
e se fosse mais novo de novo
quem dera, doce quimera
iria fácil, fácil até o Ibirapuera...

hoje é domingo, pé de cachimbo
gente chique usando cartola
moça bonita com brinco “argola”
dia de criança descalça e “mendingo”
correndo da fome e pedindo esmola...

hoje é domingo
dia de “macaroni con braciola”
e ninguém precisa ir para escola !
Dia de missa e canto na igreja
barrigudo na praça, gente que abraça
enchendo a lata de cerveja...
latinha vazia no chão entupindo bueiro
e os “gari” na segundona, ralar o dia inteiro...

hoje é domingo, pede o cachimbo
dia de futebol, samba e atabaque
dos Jardins, gringo e sotaque
arquitetura de Tomie Ohtake
hoje é domingo, dia de bingo
e cachimbo cheio de craque
no centro da cidade...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Estudo apresentado de Teatro

Classe 3º A, de Teatro - "Célia Helena" - SP/SP Estudo apresentado - "Perdoa-me por me traíres" de Nelson Rodrigues (1912-1980) Direção : Ruy Cortez (uma edição resumida)
video

quarta-feira, 30 de junho de 2010

sobre Bill, Village , 46th Street com 5ª no baixo e pernas...(sandices em 3 movimentos)


I

quando ouço Bill Evans,lembro New York
até do teu pescoço branquinho.
Voce sabe...ou não lembra ?
porque a cada acorde resoluto estremeço
adrenalinicamente óbvio, dor de barriga
pelo e pele e curva e alcova e soul
teu cheiro na minha barba, minha cova
subway do teu sorriso no meu estômago
fico nanico, pago esse mico
...aí ?...vai ou não ?... que coisa !
será que teu sorriso não sai
mais de um sol com a 4ª no baixo ?
é droga...só pode ser !...ácido lisérgico
esse trio não é moleza,
só destreza e quero mais
à dois, com talheres ao fundo
eu vou pro fundo do teu olhar
passado na Broadway com 5ª
nosso cenário é a Greenwich Village
putz !...começou o solo do baixo...
fico muito puto com tanta
baixaria...ou seria a tua BRUXARIA ?
[please, driver... get on left, to 46 Street
I left my heat on her heart, sorry…
nothing more to do…]

quando ouço o Bill de novo
te lembro e morro sozinho
no Central Park, China Town
Voce não vem ?...Também não vou...
estamos resolvidos em Si sustenido...
ah !...que besteira !...isso é um Dó !

II

Levanto e misturo café com pasta de dente
newspaper com sanduíche de queijo-quente
Me sinto vulnerável igual September11
ainda levanto pra escrever bobagens
de novo ouço Bill Evans, e traço linhas
sem conduta nenhuma mesmo
pura porralouquice, meninice mesmo...
miseravelmente louco, babo um pouco
me desespero e espero seu triângulo
pelúcia amaciada com Confort...
a gente bem que podia se encontrar
pra namorar um cup of coffee whit Bourbon
naquele bar em frente ao Metropolitan...
peraí !...D dim/9...G7+/A...C7+/G
ficou legal ?...sei não...meio blasé...
Não consigo esquecer daquelas pernas
se Bernstein tivesse vivo,
faria uma sinfonia pra elas...
ta bom...ta bom...faço eu, então
no mínimo uma Sonata elas valem
“Sonata Nº 5 , per tue gambe...”

III

Preciso ir até Down Town...
O que me faz voltar pra cama
é poder escrever, tocar, beber, amar
et coetera e tausssssss...

sábado, 26 de junho de 2010

doces preliminares...


Não me venhas com toques leves, sutis
os quase me aborrecem...
Pega firme minha carne, que é hirta
e que sempre te quis

Quero artérias, colágenos que aquecem
enfartam e adormecem...
Peles coladas com Super-bonder
Lúbricas fábricas de limbo espesso
jactâncias elétricas e arremesso
redundâncias esféricas e cunho teso

Não te atenhas com antigas valsas
os três por quatro me amofinam...
sua em bicas sobre minha boca
apalpa-me às cegas, como louca
dança rumba, merengue, salsas...

Não te atrevas a pronunciar sussurros
os óbvios me ensurdecem...
quero teus gritos que fenecem
léxicos libido que escarnecem
beija-me com força de murros

Não me venhas com firúla...
quero a tua pior lascívia
seja minha algoz mais primitiva
nada quero teu, de casta e pura...

sábado, 19 de junho de 2010

para José...



Hoje tomamos sós, o bom vinho que tomamos anteontem
Hoje já não há mais brindes, com taças do mesmo vinho
Só há o vinho de hoje, que amanhã,
certamente também deixaremos de tomar...


(para José Saramago, que nunca me conheceu,
mas eu o conheci...Me foi o bastante
)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Qual é nossa missão ?


Eu não sei minha missão
preciso saber
para eu entender
o meu coração

Eu não sei bem quem eu sou
preciso saber
para eu resolver
se fico ou se vou

Nas intempéries da vida
até uma mão estendida
viver toda dignidade
sempre com boa vontade

Toda existência é uma lida
uma experiência vivida
na busca de toda verdade
com fé, esperança e bondade

Eu percebo a imensidão
preciso viver
o amanhecer
da grande união

Eu não sei onde estou
preciso conter
este tanto sofrer
enxergar quem doou

Nas vicissitudes vividas
onde o caráter enobrece
e a moral nunca esquece
todas lições aprendidas

Na dádiva da tolerância
que ultrapassa distâncias
vimos por toda serenidade
plantando toda igualdade

Eu não sei qual o porvir
preciso rever
todo meu parecer
voltar a sorrir

Eu não sei para o que vim
preciso aprender
plantar e colher
um horizonte sem fim

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Premonição

(montagem com "La Yole" - Renoir -1875)

já olhei teus olhos negros
[pérolas vítreas negras, profundas]
sem consentimento, pressenti tua pele
[alva tez em branco lume, perfume]

não permitas que te foque,
[minha lente ressente e mente]
muito menos, te toque
[minha mão, pura abstrata alusão]

tira teu doce em mel, de lábios
[adjacentes sentires, nem tente]
se escárnio ou sorriso, fluente
[concupiscência anestésica]

delineio teu corpo em dobra
[abstraio e finjo medo, arremedo]
aquiescência do momento impar
[nos trilhos de uma vida, sobra]

curvar-te ao tempo ?...nem experimente
[destrono o ser cativante, e selo]
sortilégio de ventres secos, ausentes
[conluio de azafamas, apelo]

conjuro-te outras esferas que não estas
[eras, outras de tantas, que nem foram]
forja-me em sonho, limo e festas
[já, no ócio, devaneio e sento]

nestes lugares, alhures...
[pesa-me a falta, a calma]
naqueles respirares, algures...
[faz-me à pauta]


(o tempo nos transforma em nada...)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

tut_bit_subway



No vagão lotado do metrô atrasado
a menina dos olhos egípcios
ouvia no seu emepetrês
já, como um dos seus vícios
um rock, samba ou axé arretado

No saguão do metrô apinhado
a menina de boca italiana
falava no seu blackberry
com sotaque de linda baiana
discutindo em tom desvairado

Nos trilhos do metrô antiquado
o bêbado de índole suicida
caía e sangrava em 3D
cheirando a última batida
se desviando de mim
dele, dela e de voce

No comboio do metrô parado
os fantasmas atravessam paredes
choram lágrimas Sartrianas
sonham ectoplasmas inalados
em notebooks ligados em redes...

sábado, 8 de maio de 2010

cerca morta


não há nada que me agrade
do lado de lá daquela grade

quem aqui me cerca
de perto, me aperta
deixa-me sempre alerta

não há grade que me cerque
quem me empurra, me ergue

quem dali, me enxerga
nem daqui, me enverga
vaza-me, une e posterga

não há alarde que me arda
quem me atrasa, não tarda

nada que me abrase está
deste ou daquele lado
do que me agrade

nada faz calar-me, nem tua farda
nem tua sombra, bamba e parda...
Inquira-me enquanto aguarda

sábado, 1 de maio de 2010

eróptca


[Toma um cálice por mim...
Dá-me do teu melhor vinho
aquele, para o qual eu vim
aconchegar-me em teu ninho
]


Lasciva mente, vem e senta
num axioma-ventre , me tenta
pousa tua taça, emborcada
um tanto quanto arcada
molha-me em supino quente
resvala tua vala e tala-me
escoa-me rubro, docemente
verborrágica lícita dentada
terna e mágica viagem içada
Toca-me em jejuno casto
alastra-me teu afoito laço
gingo-te escambo afoito
até que em repente coito,
até que exposto em fogo,
afoga-me em liquor louco
onde um, mesmo que dois
é deveras pouco...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

E-Tango (ou “la cancion de una electro-separacion”)


Apaguei os teus contatos
deletei os teus e-mails
teus perfumes baratos
e os sabor dos teus seios

Escaniei minha memória
procurei toda fotografia
pra esquecer a nossa estória
ledo engano, pura utopia

[refrão]
ah !...quem me dera poder esquecer
toda nossa lesa e triste quimera
todo nosso amanhecer...
ah!...se um dia nos fizemos sofrer
apagar essa memória, quem dera
reformatar todo o HD...

Percorri todas as pastas
dos arquivos do passado
emoções bestas e gastas
que já devia ter detonado

joguei no lixo os nossos DVDs
dos filmes em baixa resolução
msn,facebook, tweeter, icq,
tudo que fizesse te esquecer
tudo a mais pura ilusão...

[refrão]
ah !...quem me dera poder esquecer
toda nossa lesa e triste quimera
todo nosso amanhecer...
ah!...se um dia nos fizemos sofrer
apagar essa memória, quem dera
refomatar todo o HD...

domingo, 11 de abril de 2010

exofônico


acabou minha poesia
foram-se todas as rimas
era somente triste mania
estado de torpor e anestesia...

foi-se embora a poética
toda verve e alquimia
nem tão pouco, a dialética,
sobrou-me estéril apatia...

findou-se então, a alegria
virou sombra, devastação
todo canto, ora afonia
sem verbo, só dispersão...

acabou minha poesia
foram-se todas a rimas
era tudo parca alegoria
cheia de poeira e cismas...

sábado, 27 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Quem ajudaria José, que quebrou o pé ?


O que faria José se quebrasse um pé ?
Quem o ajudaria se estivesse numa padaria ou na praça da Sé ?
Chamaria Maria ou a sua tia ?
Talvez o Alfredo, seria só um arremedo.

Mas...e o Toledo ?...Nem pensar ! sujeito sem ledo...Ai que medo...
A Mariana viria com certeza, pois é moça bacana, de grande presteza.
Não é como a Tereza, sempre na moleza...
Prefiro o Toninho, que ajuda sempre nem que for um bocadinho...
Ou o seu primo, que muito estimo, o Joaquim, que sempre estendeu suas mãos para mim...

Roberto tambem é legal, sujeito fenomenal, sempre de coração aberto !
Se vier a Salete, vê quem se mete ! Essa só faz pintar o sete !
E a Sofia, antiga namorada , que foi-lhe apaixonada e agora não quer nada, quem a desafia ?

Chamar a Beatriz, nem por um triz. Essa sempre fez só o que quis !
E o João , metido, o bestalhão,está preocupado só com seu milhão...
Mas a Fernanda, prima da Amanda...ah !...essa sim mostra quem manda. Com ela, todo mundo roda na sua ciranda...

Quem sabe o Adauto possa dar ajuda, dai a coisa muda, pois ele sempre foi um arauto !
Não contemos com o Fernando, pois ele está na maioria do tempo, solto ao vento, sempre viajando...
A Jussara , aquela que Leonardo já amara (um pesado fardo...) nem tente... pois a Jurema, lá de Saquarema, cobriu-lhe de vara !
Seria então o Pedro, duro igual cedro, que avisaria o Augusto, aquele que na praça da matriz, perto da casa do argentino Ortiz, tem uma estátua, um busto ?
Acho melhor nem chamar a Eduardo que já vem armado de um petardo, irmão da Andruxa, bonita gaúcha que comprou uma garrucha pra se defender da prima Vera, uma fera, aquela bruxa...
o Aldo, só dá o respaldo, não deixa entornar o caldo e só faz aumentar o saldo...
Talvez o Saulo, que mora em São Paulo, faça junto com a Adriana, prima da Veridiana, dona daquele Pastel com Cana, onde vamos todo fim de semana...
Ajudaria também chamar o Jair pra ir, com a Nadir, antes dela partir e ter que se despedir...
Se chamar a turma do Amadeu, que com ele é assim :
escreveu não leu, pau comeu, e sempre prometeu pro Marco, mas pra ajuda-lo mesmo, sempre muito parco...
Quem sabe viria o Ricardo, coitado tão viciado em atirar dardo, que com a Regina foi casado, menina de pouca sorte, que perdeu a própria sina naquela maldita esquina, encontrou a morte...
E a Assunta ?...será que vem ? Pergunta pra ela, vai Isabela !...pergunta !
A Cynthia avisou que só pode na quinta !
Acho que podemos contar com a Sonia e sua irmã Antônia, que vieram da distante Letônia, pra se despedirem da Theodora, antes de irem embora...
Agora...se voce quiser ajudar José, que quebrou o pé, numa padaria da praça da Sé, sabe como é...
Tem que passar no bar do Henrique sem perder o pique, nem precisa ir muito chique... Lá, dá um gole da boa cachaça, que vem do alambique, mas não vá ficar manguaça !
Depois entra na loja da Julieta, passa pela roleta, pega um par de muletas, e faz um favor : não seja “retrô”, vem de metrô...Afinal estamos numa cidade grande, e não no largo do Pelô !
ah !...não esquece de pegar um número, viu ? é só dar um forte assovio... Porque quem dá a senha , e manda de fio a pavio, é a Maria da Penha !

sexta-feira, 12 de março de 2010

Brincadeira de criança


O que é, o que é...
que tange, mas ultrapassa
que queima, mas não fere
mata, mas anima
que encobre, mas devassa...

O que é , o que é...
que corre, mas aproxima
que seca e umedece
expurga, mas recolhe
equilibra e entontece...

O que é, o que é...
que chama e despede
chora, mas agrada
solta, mas agarra
enxuga e mata a sede...

O que é, o que é
que bate e penetra
corta, mas costura
abala e segura
odeia, mas atura...

O que é , o que é
que arrasa e cria
alisa e arrepia
que torce, mas estica
vive indo, e fica...

O que é, o que é
que ergue, mas assola
chega logo e demora
beija e depois cospe
execra, mas adora...

O que é, o que é
que tortura e aconchega
que paga, depois cobra
que solta, depois pega
que falta, mas sobra...

O que é, o que é
que tritura e cola
arrasta, mas sossega
faz desdém, depois dá bola
que ama, mas mata e cega...

O que é, o que é...

quarta-feira, 10 de março de 2010

"0"


0

ZERO
0000 0000 0000 0000

nada
niente nothing
pas de rien
nichts nada
nulla nadie


ZERO NADA
ZERO BALA
ZERO FOME
ZERO GRANA
TUDO ZERO

ZERO NINGUEM
NEM UM, NEM MENOS UM

NEM ZERO

N menos N


000000000000000000
ZERO ZERO

0

quarta-feira, 3 de março de 2010

A deusa da condução



cenário : Avenida Paulista, Sampa, dia “cool”, “tipo” fim de verão, por volta de duas da tarde.
veículo : transporte público, ônibus, sentido bairro, mais precisamente, Masp para Vila Mariana.

Jeremias entra, para na catraca, pega a carteira, paga e passa.
Ao passar, ainda preso no meio da “borboleta de aço”, nota a poucos bancos em frente, um olhar que por um átimo, cruza o seu.
Ela abaixa a cabeça, desvia, fica de perfil, olhando a janela.
Ele mal observara seu rosto por inteiro (ainda...)
Ela, 30, 35 anos.Ele , mais maduro.

Jeremias senta no banco, logo atrás, mas no lateral.
Sem intenção, tem os cabelos dela à sua mira.

Jeremias ( também como ela...) observava atentamente as personagens que fervilham pela grande avenida.
São trôpegos embriagados, moços em ternos e gravatas, mendigos ajoelhados a pedir qualquer coisa que possam lhe dar, doidivanas , hippies atrasados, "ladies" chiques, coquetes, personagens que parecem mais sair d’um circo burlesco e bizarro.Coisas de grandes metrópoles. Normal.

De repente, por um ímpeto, completamente absorto com as personagens das ruas, Jeremias se achega próximo à ela, por trás de seu ouvido, e diz em voz media, com um sorriso discreto no rosto : “...a gente encontra cada personagem em São Paulo, não é mesmo ?”

Ela, sem surpresa, vira-se a meio rosto, e com um certo rubor nas faces (timidez, quem sabe...) abre um doce sorriso e responde : “Sim...é mesmo...é verdade...Voce viu aquela senhora cigana ?
“Vi sim..”, responde Jeremias, também com um sorriso no rosto e continua :“agora...eu queria ter uma câmera fotográfica nas mãos, com uma grande objetiva, pra captar essas personagens...”(risos de ambos)

Ela afirmou com a cabeça, sorrindo ainda...Jeremias sentiu que ela iria continuar a conversa, bem como ele tb continuaria.
Mas o celular da moça toca...Ele respeita e interrompe a conversa

Ela diz a alguém, em voz baixa ( dava-se pra perceber de longe que era uma pessoa extremamente fina, educada e que tais...). Jeremias ouve um pouco , e discretamente nota que ela explica que está na Paulista, coisa e tal...
De repente, após a ligação, ela fica meio sem jeito...Guarda o celular e dependura a bolsa no ombro e balbucia meio sem graça, leve sorriso (ou seria decepcionada ?...), olhando para Jeremias : “ ...caminho inverso...tenho que voltar...”
Ela se levanta já apressada ao próximo ponto, dá o sinal, vira-se para Jeremias e diz, olhando dentro dos olhos dele, também : “...faz sim...quem sabe um dia não vejo suas fotos publicadas...”

(Daí foi que Jeremias observou atentamente o rosto maravilhoso da moça...Olhos amendoados, cor de mel claro transparentes, um sorriso de derreter aço carbono...Corpo esguio. Voz suave, grave, aveludada, dicção perfeita !...Lindíssima...simpaticíssima...uma verdadeira deusa encarnada dentro de uma condução paulistana...Seu coração acelerou como há muito não acontecia...Seria "amor" à primeira vista ?..mas, Jeremias não acredita nisso !...pobre Jeremias...)

O ônibus freia...O ponto está aí...Ela se equilibra e caminha em direção à porta...Algum tumulto normal em pontos de ônibus...

Ambos tem expressão de “nunca mais nos veremos”.

Jeremias acena do banco, olhando dentro dos olhos de sua deusa sem nome e diz : “...boa sorte !”....ela retribui com o mesmo : “...boa sorte...”

Jeremias ainda tenta olhar para trás, pela sua janela, mas ela já havia sumido na multidão... (aventou consigo mesmo : "...saio e vou atrás...me apresento ?...deixo cartão ?...")

Será que Jeremias perdera para sempre a oportunidade de recomeçar a sentir essa adrenalina dos deuses ?...Será que realmente nunca mais a veria ?...Será que em meio a 12 milhões de almas, um dia reveria “sua deusa” de poucos minutos ?

Jeremias não dormiria mais sem pensar nessas possibilidades.
Nem naquela noite e nem em muitas noites adiante...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Homenagem aos 100 anos de Adoniran Barbosa ( por Marcos Pontes)

Uma homenagem de Marcos Pontes, a Adoniran Barbosa ,100 anos do nascimento.
Vídeo e Letra de Marcos Pontes; Música, violão e voz de Jota Lago; Piano, de Joe Brazuca.
VIVA João "ADONIRAN BARBOSA" Rubinato !...
(assista na integra aqui :http://www.youtube.com/watch?v=I4oyVmdUPBI)

video

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Porque hoje é Sábado !


Porque hoje é sábado
esquecerei de todas minhas dores
que assolam minha excluída periferia
visitarei antigos e apaixonados amores
que sonham em parques pomposos, à regalia

porque hoje é sábado
desprezarei as crianças famintas e pobres
que furtam restos à porta d’um mercado
reverenciarei os abastados, ricos e nobres
que guardam à morte, seu dinheiro endeusado

porque hoje é sábado
cobrirei meus olhos a toda mazela
afastarei dos torpes de vida podre e cruel
lembrarei de seus seios maduros, à janela
e de seus dulcíssimos beijos lambidos a mel

porque hoje é sábado
desprestigiarei as colunas políticas
que mostram a sanha de animais perversos
navegarei solene por águas míticas
onde os poetas pescam seus perenes versos

porque hoje é sábado
ensurdecerei às sirenes de hospitais nefastos
que não atendem a quem necessita
perfumarei-me com essência de fino alabastro
onde singra teu cheiro que tanto me excita...

porque hoje é sábado
calarei meus berros de medo insano
que bradam bélicos e azáfamas de alardes
cantarei a teu corpo belo, teso e profano
todo prazer que dentro de mim, pede e arde...

Porque hoje é sábado
claudicarei minha galopante e senil velhice
que teima em me devorar por dentro
viverei hoje intensamente minha eterna meninice
como se fora eterno, como um melodioso alento...

Porque hoje é sábado !

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

melting romã




amor
romã de Roma

ar.água.terra.fogo.

pingo-respingo
ventania

água-de-cheiro
telha-de-barro
pimenta de aroma
trama
rama

mel sabor maçã

melting fusion

romã

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

reticência...


Hoje no meu caminho,
só adjacência
não há em meu ninho
nenhuma permanência

só ausência
e pergaminho
de pura aderência

leve linho
tinto de vinho,
minha preferência

abstinência,
sigo sozinho

com elegância

só , como meu pinho
só essência
ledo, escrevinho

irreverência

sobre
vivência

reticência...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Kodacolor em P&B



rever “in photo”________quantos sorrisos
tempos recentes ____ ___gestos ausentes
viver novamente _______perfumes...
olhar “in loco”_______ __odores tão parecidos

poses, encaixes_______ _foge o tato,
toques antigos_________cumplicidade...
indeléveis____________o ato, agora falho
susceptíveis________ __gestos secretos
tudo, amigos__________comestíveis
mudo, abrigos_________afetos

folha sem galho________sonho poeira
galho sem tronco_______sem beira
manco_______________precipício
trôpego______________todo passado
solta, aperta__________volta, de volta
devassa______________assalta

saudade da falta...______choro bobeira
me exalto____________sem eira
suor antigo, exalo______hospício
grito rouco___________tolo amassado
louco, alto___________solta, sem volta
escuto pouco_________sem orla

a madrugada_________depressiva mente
ausente_____________distante
contorce____________distorce
macula a pele________a língua carente
disforme____________angustiada mente

o corpo despede_______num blues
despe-se____________acorde
quase morto_________em sol menor
do prazer___________acordo
que jaz_____________não durmo
absorto_____________desperto

tanto faz,___________nunca mais ?
já é tarde...__________quem sabe...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Meta-mór-fretless (um Blues para Ella...)



Eu acreditei em Deus
my God !..oh! Deus
tanto,que fiz filhos todos meus

Acreditei em desodorantes,
que vidro tipo barato
se corta com diamantes...

Em monges Tibetanos
que eram meio assim,
super-humanos

ledos enganos
meu Deus !
quantos enganos...

Eu acreditei em advogados
togados safados, mentes astutas
bando de filhos de putas
(salvando a honra das últimas...)

Acreditei em seus beijos
sabor goiabada com queijo
no seu jeito “blasé”
e eu assim, meio démodé

que quando você me telefona
com aquela voz bem sacana
você tá querendo só ir pra cama

mentirosa !...
só me engana
quer minha grana
e eu fico na maior gana...

acreditei no noticiário,
na assepsia dos berçários,
que o deserto escaldante
atravessa-se em dromedários

ledo ordinário
meu Deus !
sou um grande otário...

acreditei piamente
no seu assédio deprimente
só pra abafar meus acordes
do meu Blues estridente

acreditei na sua lábia
dando uma de sábia
me levando pr’uma encruzilhada
com pinta de descarada
é nada !...

quer detonar meu Blues
com esses olhos azuis
me fazer acreditar na sua
e me detonar no meio da rua...

tolo, acreditei
meu Deus !
como acreditei...
fretless...escorreguei !
Related Posts with Thumbnails