
as pedras cinzas
estão inertes e frias
sobre os dormentes
petrificados em óleo
escorrido de um tempo
marcado pelo caminho
árduo e redundante...
as rosas angelicais
já não perfumam mais
os anjos rosáceos...
olhares perdidos
cansados do tanto
e quanto ferido,
aglutinam-se
no esperar de um
amanhã que tarda
em chegar
e claudica a andança...
as rosas ornamentais
já não denotam mais
os anjos corados...
o perfume embaçou-se
no espelho esborrifado
a moldura dourada
descascou-se em linho
pérfido e gentil
e trouxe a mágoa
das almas espremidas...
as rosas orientais
já não propagam mais
os arcanjos umedecidos...
assim como se morre,
perpetuam-se os laços
entre corações que ardem
labaredas aquosas
sinuosamente lentas
e decadentes toscas
dos ventos parcos, secos...



