Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Porque hoje é Sábado !


Porque hoje é sábado
esquecerei de todas minhas dores
que assolam minha excluída periferia
visitarei antigos e apaixonados amores
que sonham em parques pomposos, à regalia

porque hoje é sábado
desprezarei as crianças famintas e pobres
que furtam restos à porta d’um mercado
reverenciarei os abastados, ricos e nobres
que guardam à morte, seu dinheiro endeusado

porque hoje é sábado
cobrirei meus olhos a toda mazela
afastarei dos torpes de vida podre e cruel
lembrarei de seus seios maduros, à janela
e de seus dulcíssimos beijos lambidos a mel

porque hoje é sábado
desprestigiarei as colunas políticas
que mostram a sanha de animais perversos
navegarei solene por águas míticas
onde os poetas pescam seus perenes versos

porque hoje é sábado
ensurdecerei às sirenes de hospitais nefastos
que não atendem a quem necessita
perfumarei-me com essência de fino alabastro
onde singra teu cheiro que tanto me excita...

porque hoje é sábado
calarei meus berros de medo insano
que bradam bélicos e azáfamas de alardes
cantarei a teu corpo belo, teso e profano
todo prazer que dentro de mim, pede e arde...

Porque hoje é sábado
claudicarei minha galopante e senil velhice
que teima em me devorar por dentro
viverei hoje intensamente minha eterna meninice
como se fora eterno, como um melodioso alento...

Porque hoje é sábado !

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Meta : Morphus


Pouco me inspiram
as telas
Mais me transpiram
as velas

A musa que outrora
de rosto vívido
refletido em brilho
de versos
ora desvanece
sem purpura
nem brios,
diversos

Pouco me suspiram
as belas
Mais me aniquilam
os que advêm
delas

O rosto esculpido
que descia aurora
despido em tédio
disperso
ora entorpece
usurpa
sem vozes,
modesto

Pouco me inflamam
as guerras
Mais me devassam
os gestos obscenos
que berras

O olhar acenado
que luzia firme
e desenhava vida
olha em ponto
obscuro
antes, azulado
ora despediu-se,
foi embora, nulo
defenestrado

Pouco me abalam
os ventos
Mais me acariciam,
seus alentos...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Band-Aid-kura-kaos


Onde estou, só asfalto,
sem mato
abro a janela
e me mato
polui_som barulho
debulho, tudo bagulho
carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro
stressssssssssssssssssssssssss
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
num ha quem agüente tanta
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
todo mundo triste e ausente
gente que num desiste, insiste
só o corpo presente
indiferente
distante
colados do lado do outro lado
calado que nem gado
sempre atrasado
só traslado
de corpo abalroado...

Tô querendo mato, água de fonte, grilo falante
bosta de bicho, folha, árvore pra sol escaldante
barro no pé descalço, balança de corda
som de riacho, canto de galo que acorda
fumo de rolo, café, fubá dentro do bolo
sentado na soleira da porta, ler folhetim
colher inhame, alface, pimenta, tudo da horta
cheirar rosa, camélia, cravo, arlequim
água de cheiro, banho de rio maneiro
gosto do angu com taioba, tempero mineiro
e depois de almoço, café da tarde
traguinho de cachaça, garganta que arde
tirar uma sesta na rede de trança
daquelas que até ventarola balança
ouvindo uma moda daquela, antiga
de viola soando brilhante,de sete cordas
em volta de gente amiga
alegre , sonolenta e vadiante
onde pouco importa todo o tempo
que já vai indo...indo...embora com o vento...
E na noitinha mansa chegando
deitar no remanso de toda essa lida
com meu amor, cheiro de flor,se encostando
fazer devagar,sem nenhuma pressa
aquilo que é precioso, e bom à beça
o que tem de melhor nessa vida...

©joe_brazuca-MMIX-sp/sp/br

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Amaozônia - The Forest (música)

(música instrumental experimental, onde o músico sorteia as células a serem tocadas, interpretando-as portanto, de uma forma aleatória a cada vez que for executada - parte integrante do CD instrumental "O Mago", do mesmo compositor)


Amazônia
pedaço gigante
Insurgente da Terra
bilhões de anos
acelerado esvaindo-se
em desvarios humanos
da raíz que enterra
em água e ozônio
de remédio, oxigênio
pulmão do caos plumbeo
que ora, se encontra no limbo
que chora do corte da serra
mata virgem, cipó e tora
fauna que corre e morre
clareira que sangra e aflora
que a terra em barro, deflora
e queima e rouba a flora
que o “bichuHomem”
explora e ignora...
Massa ignara
devasta e mata todo mato
devassa a mata escassa
que reza e ora
e crucifica toda tora
que sangra e chora
cruel arrebato
todo esse vasto
que sangra e se encerra
toda água enterra
chora e berra
em agonia
trágica cacofonia
desgarra de tua afonia
oh, deslumbrante
Ama-O-zônia !
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