Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Arco íris



7 cores
Era uma vez
7 olores
um toque, uma tez
7 sabores
mais um beijo,
o que foi que me fez?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Israel (ou "os três sóis de Judá")


De qual Anjo
sairia
áurea lança ?
Qual das Mulheres
geraria
aquela criança ?
Em qual deserto
faria
aquela andança ?
Em qual terra
nasceria
toda esperança ?
De qual reino
surgiria
a vizinhança ?
De qual povo
brotaria
tal confiança ?
Qual tribo
bailaria
a célere dança ?
Para qual povo
se faria
a festança ?
De quem
irromperia
tal liderança ?
Qual Arca
guardaria
tão forte aliança ?
Em que Paraíso
perpetuaria
toda abastança ?
De qual José
se esperaria
tal bonança ?
Em qual das Marias
se plantaria
tal semente
de mudança ?

terça-feira, 10 de maio de 2011

para verbis ad verbium



eu iludo
tu foges
ele esconde
nós enganamos
vós alienais
eles sucumbem

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cantiga simples




Quisera eu poder fazer todas juras
não entoando mais que sete notas
com palavras simples, doces e puras
e que não soasse como reles lorotas

Pudera eu ser tão verdadeiro e nobre
não pulando mais que sete ondas
mesmo que usasse só de rimas pobres
e falasse do teu olhar, quando me sondas

Tivesse eu esse dom da simples poesia
e em versos cantaria todo meu ardor
somente com parcas letras te escreveria

Com o néctar doce e singelo duma flor
simplesmente poucas linhas te desenharia
com sete sílabas, “eu-te-a-mo-meu-a-mor”

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

substância



[a vista é rápida e delineia para sempre outros olhares
avessos, retrospectivos, refletidos, salientes...]

A cor marrom dos móveis antigos, prolifera
como o cheiro de cera que lhes conservam.
No céu, cinco pontos brilhantes giravam em ciranda,
em sentido estroboscópico.Imaculado era o mistério.
A ânsia adrenérgica tomava posse de nossos fôlegos,
e nossos lábios esboçavam um sorriso extasiado.
Nas montanhas distantes, que jazem perto do
rubro por de sol, outras naves pululam, num
jorro de luz e espanto.

“A vinda estava próxima” – anunciava o bailado das luzes.
Os tempos de revelações eram enfim, chegados.
Na infinda estrada longilínea, com o asfalto às costas
e o mar a frente , ventos sopravam o inusitado,
e os povos, dançavam uns, fugiam outros.
Nuns tantos, dominava o medo e a descrença, noutros
o desvelo e a esperança.
De qualquer forma, nada mais seria como até então tenha sido.
Começava o inevitável rito de passagem...

A chuva cai em estereofonia no tecido multicolorido do meu
umbrella, e o chão irregular molha minhas meias rotas,
enquanto o rito celebra o cordeiro, os grãos, o pão e
o vinho sobre a mesa entalhada em toalha bordada,
como o maná prometido ao cotidiano da paz e costumes.
[“santo, santo, santo”, sussurra o diácono , entoando o
mantra que vem do tempo...]
No mercado as gôndolas de frutas multicolorem o
passado eterno, às suas sementes, a seus pássaros...

Adonai !...Adonai !...gorjeia a nova ave aos velhos
povos. Ave verum dicte sun !...respondem em coro
as noivas e seus rebentos anunciados.O mar se acalma
e vira o espelho de cada um dos interpretes.
[sentados em círculo solene, repousam os anciãos guardiães
da velha arca, com suas barbas alvas e sábias]

[a mãe soluçava o filho ido]
as fúcsias formavam rios nas faces, e os olhos olhavam
o nada...A voz soava como vento fantasmagórico, sem nexo
Guarda !...Guarda !...lontano il cuore piangeva sensa sangue
secco per stringere la dona che volava morta...
[Luas de Plutão rodeavam o planeta, como átomos escravizados
pelas lanternas dos suicidas, em fila, nos umbrais do 3º céu,
sinfonias inacabadas]

Toda química lhe escorria pela testa e as lágrimas
pelo rosto e ventas.Provinha-lhe de poucas cores,
nos cabelos pregados em azáfama sobre o
couro cabeludo embebido em sangue.
Já não se lembrava mais das cebolas cortadas,
dos filhos paridos, dos pares partidos...
Já não sentia o fel da bílis vomitada
d’um vinho agro bebido em alguma cama...
Já não sentia o cheiro cigano do esperma que lhe
escorrera pelas coxas deitadas, semi-abertas
em direção aos lençóis de algodão barato...
No auge de seu ciclo, nem lembrava mais
das línguas que lhe tocaram o íntimo...
Morria aos poucos, sorria aos poucos,
em frente ao espelho enferrujado.

[o alquimista acende as vela e derrete o épico]

domingo, 19 de dezembro de 2010

Despedida (em 7 notas mudas, não tocadas)



Absorvo a palavra inerte d’um credo extinto
pregada nas tábuas rotas do cais salobro
o sabor da fúria do que sinto, vejo e minto
nunca houve diálogo tão sem verve, ao dobro
[Quimeras d’água salgada esperneiam...]

Sinto o quadrangulo de um sóbrio quarto
inspirando o que deste vento ameno assopra
e leva as sementes a quem amargamente, as evoca
envelhecidos tonéis embarcam, eu parto...
[aplausos !...a platéia delirante aguça a sanha]

Mentes que antes se esvaeceram em sólidos medos
ora se transmutam em gases pífios e forçam o poema
que se esforçam em driblar a ferro, os tiques e toques
nas masmorras forradas de poeira de corpos e lemas
[o quinteto executa a saga de um cristal quebrado]

Tão eloqüentes enquanto se calam, cenas gritam
aos uivos incrustados nas grossas lágrimas retintas
fingem o açúcar mais doce, quando amargo soam
e dançam píncaros exaustos de lamentos crus
[alianças tilintam nos ladrilhos dos palácios]

Linhas paralelas se cruzam num possível inexistente
conjugam o (des)verbo do absurdo inconsciente e nulo
onde retinas jazem ao véu de discursos obsoletos,
e se distanciam em árduas esquinas plantadas em muros
[as maçãs caem de seus fracos arbustos e poluem]

O que os gestos retalhados, navegam aos seus cumes ?
Invocam rezas e canções idolatradas incólumes
miram ao longe, tão perto quanto possam arremessar
sufragam em sonhos descomedidos e disformes
[as gruas se afastam e apontam o esplendor do caos]

Expressões de ira, iradas aprontam as miras e atiram...
os devaneios dos anjos dizem “assim seja para sempre”
Tombam as exéquias em posição vertical, no horizonte
Braços abertos acima, se esquivam do ritual e do centro
[o pano fecha...o teto desaba...as portas são lacradas...]

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

sombras


tenho um lado vil
assim, meio servil
que faz muito alarde
porque é mais covarde

um lado falso
completamente canalha
que ajuda empurrar,
vestindo a mortalha,
o inocente do cadafalso

um lado que espezinha
sorri à navalha cortante
se achega sempre distante
astuto se acerca, se avizinha...

um todo tanto obtuso
de um sorriso escabroso
que usa sempre o abuso
e se lastima medroso

um lado que fede perfume
maquia com betume
disfarça a pele flácida
e se mantém plácido
ao cheiro do curtume

de pura peçonha
que baba na fronha
só tem pesadelos
de arrepiar os pelos
e finge que sonha...

um lado de unhas sujas
mãos sempre meladas
carimbos de garatujas
obras perenes e inacabadas

eternamente infame
que só se dá ao reclame
que se esconde na noite
acaricia com açoite
e provoca o enxame

um lado tanto gelado
que se esgueira de lado
com porte adequado
nunca certo, todo errado
excêntrico , marginalizado...

um lado soberbo
por roubado acervo
com perfil escuso
de empáfia sórdida
nunca concluso
e polidez mórbida...

tenho um estranho lado
meio tudo, meio nada
personagem disfarçada
sempre camuflado
meio assim, meio assado...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Container




9.677.087.198.211 de humanos
57.004.869.850 metros de panos
458.987.634.589 de tratores
5.768.798.679.8034 de pastores
6.634.230.443.780 defensores
2.111.674.075.230 desertores
87.658.640.089.674 de igrejas
98.977.886.734 pés de cerejas
17.897.784.367.839 de padres
897.867.900.034.568 de catres
457.890.900.897.867 de bois
78.679.089.245.343 de lençóis
66.758.453.423.908 de louros
879.563.342.398 litros de agouros
4.456796.756.432 de doutores
9.895.643.289.789 de opressores
6.789.469.837 de litros d´água
289.678.990 de metros de anáguas
786.342.897 de kilos de mágoas
8.978.765.678 toneladas de comida
6.789.689.768.899 de feridas
23.897.851.009 kilos de alimentos
56.459.087.745 metros de tormentos
1.128.970.967.594 kilos de excrementos
567.897.564.590 de distintos
336.758.907.890.987 de famintos
56.789.089.398 de banidos
1.123.897.850.987 de bandidos
459.809.897.890 de peixes
90.897.878.923.498 de feixes
3.456.879.809.832 de cemitérios
11.298.579.049.875 de adultérios
3.546.768.976.509 de significados
55.678.908.978.645 de humilhados
19.827.837.967.867 metros de ignorância
987.654.908.767.564 litros de ganância
7.345.423.567.089 de irreverência
6.786.756.459.089 kilos de interesse
1.978.678.907.683 toneladas de estresse
8.975.633.340.098.970 de paixões
9.878.534.445.289 de litros de ilusões
678.967.890.743 de caixões
30 kilos de humanidade
15 litros de solidariedade
10 kilos de bondade
200 gramas de caridade
25 segundos de tempo restante
misericórdia, nunca o bastante...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

estranhas entranhas ( Píer 55)


o que vai a mim, não sou eu
o que está em mim, se perdeu...
o que faz tão largo,
este residente amargo ?
por que o que me arvora,
incólume, me devora ?
o que vem de mim, não é meu
o que passa por mim, esvaeceu...
por que este âmago latente
que finge, morre em mim,
e mente ?
o que pesa em mim, corroeu
o que leva de mim,
dentro, e perto, e centro
estremeceu...
por que e onde d’essa ânsia,
que já é fulcro e reentrância ?
por que o que preso, excreta,
e me assola, e se decreta ?
o que jaz por mim, já viveu
o que vive em mim, já jazeu
o que foge de mim, pariu
o que queima de mim
já esmoreceu...
o que longe de mim, partiu
o que próximo de mim,
nada mais aconteceu...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ventania


as pedras cinzas
estão inertes e frias
sobre os dormentes
petrificados em óleo
escorrido de um tempo
marcado pelo caminho
árduo e redundante...

as rosas angelicais
já não perfumam mais
os anjos rosáceos...

olhares perdidos
cansados do tanto
e quanto ferido,
aglutinam-se
no esperar de um
amanhã que tarda
em chegar
e claudica a andança...

as rosas ornamentais
já não denotam mais
os anjos corados...

o perfume embaçou-se
no espelho esborrifado
a moldura dourada
descascou-se em linho
pérfido e gentil
e trouxe a mágoa
das almas espremidas...

as rosas orientais
já não propagam mais
os arcanjos umedecidos...

assim como se morre,
perpetuam-se os laços
entre corações que ardem
labaredas aquosas
sinuosamente lentas
e decadentes toscas
dos ventos parcos, secos...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

mea culpa


O que amalgama esta lúgubre bílis
ex-corrida mente tesa e afoita
amargo corte retro-perfilado
pré-ocupado, amargo destilado
daquele lado esquivo e pardo
de todo olhar que brilhe em íris
responde e, do prelo, esconde
prende e ascende descabido
libido pende, escura caserna
como laço de perna, aderna
nada inibido, fato traiçoeiro
reteso em ubre embutido...

a forca que afoga e abafa a toga
a força que atola e acaba em voga
céu de cadências indecentes
fátuo fogo que arde inclemente
expele o rubro ácido sêmen
dos que nada tem e temem
ressurge docemente em cadeia
no epitélio nacarado dos homens
nada humanos, desumanos
mundanos...

argamassa vil de sombras delineadas
águas rasas de escombros perfilados
o que devora, vomita antes da hora
o que estupra, regurgita e cospe fora
oh ! expiação dilacerante que atordoa...
singra em sangue pisado,todo escarro
escravo de mim mesmo, jaz ao barro
sente o repulsar desta vida à toa...
o que me matará, agora adoça
o que vinga, mesmo que ventania
de qualquer timo amargo, e alegoria
de outrem, retirante talvez possa...

o que este ventre encharcado lambe
é o veneno que fará que certo tombe...
oh! concupiscência vicejante e podre
desprenda-te do meu pouco inda nobre
que lateja, mesmo que no parco átrio,
e de teus segredos infames, zombe...

sábado, 14 de agosto de 2010

muito lok...


a morte ou a sorte,
não tem porte de arma
nem sequer passaporte
aqui está a questão
de karma ou darma
minhas mágoas vestem anáguas
na santa ceia não tinha seios
tem um naco dum taco
dentro dum treco
no beco do macaco
muito louco é pouco
atiraram no filho do Porfírio

corrupção, corro pra ação
eu nado vestido de nada
parido pelo par ido
que não volta de volta
já, mais nem, falo jamais
tenho a impressão
que não tenho coração
sem mentes pintadas
coradas de tesão
muito menos um
fígado fidalgo
figo podre dum algoz
que estúpida mente
anda atrás do mágico de Oz ?

morro de tédio do seu assédio
quando subo o morro de gorro
agarro seus pêlos
pêlos seus, pelos meus,
pelos nossos cotovelos
o creme derramado
do derradeiro amado
dedou o crime
apontou o dedo em riste
cave sua paz com suas pás
e não desiste dessa
vitamina anfetaminana

será pião de obreiro
quando o beijo do boiadeiro
for da bóia ao brejo ?
torniquete de cérebro
massa de tomate ambulante
antes que sólido fique
solidifique a massa andande
ma non troppo
mergulhei no orgulho
gorgulho escroto de esgoto
Fiat lux de suborno
sub morno debulho
o filho do Andrada saiu na parada
muito louco está solto
morreu de tédio, a poesia
sobrou o médio,a anestesia
afogada na pós-maresia
de um mar tentáculo revolto
em melancólica nostalgia
só digo os códigos
de qualquer alegria
muito louco é pouco...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

hoje é Domingo !


hoje é domingo, a tarde tem bingo
se tiver sol, vira até um futebol
em Sampa, tudo encanta
dia de “macaroni con braciola”,
e ninguém precisa ir pra escola !

na Paulista, até onde alcança a vista
dá pra andar “de a pé”
do Trianon, até a praça da Sé
e se fosse mais novo de novo
quem dera, doce quimera
iria fácil, fácil até o Ibirapuera...

hoje é domingo, pé de cachimbo
gente chique usando cartola
moça bonita com brinco “argola”
dia de criança descalça e “mendingo”
correndo da fome e pedindo esmola...

hoje é domingo
dia de “macaroni con braciola”
e ninguém precisa ir para escola !
Dia de missa e canto na igreja
barrigudo na praça, gente que abraça
enchendo a lata de cerveja...
latinha vazia no chão entupindo bueiro
e os “gari” na segundona, ralar o dia inteiro...

hoje é domingo, pede o cachimbo
dia de futebol, samba e atabaque
dos Jardins, gringo e sotaque
arquitetura de Tomie Ohtake
hoje é domingo, dia de bingo
e cachimbo cheio de craque
no centro da cidade...

sábado, 26 de junho de 2010

doces preliminares...


Não me venhas com toques leves, sutis
os quase me aborrecem...
Pega firme minha carne, que é hirta
e que sempre te quis

Quero artérias, colágenos que aquecem
enfartam e adormecem...
Peles coladas com Super-bonder
Lúbricas fábricas de limbo espesso
jactâncias elétricas e arremesso
redundâncias esféricas e cunho teso

Não te atenhas com antigas valsas
os três por quatro me amofinam...
sua em bicas sobre minha boca
apalpa-me às cegas, como louca
dança rumba, merengue, salsas...

Não te atrevas a pronunciar sussurros
os óbvios me ensurdecem...
quero teus gritos que fenecem
léxicos libido que escarnecem
beija-me com força de murros

Não me venhas com firúla...
quero a tua pior lascívia
seja minha algoz mais primitiva
nada quero teu, de casta e pura...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Qual é nossa missão ?


Eu não sei minha missão
preciso saber
para eu entender
o meu coração

Eu não sei bem quem eu sou
preciso saber
para eu resolver
se fico ou se vou

Nas intempéries da vida
até uma mão estendida
viver toda dignidade
sempre com boa vontade

Toda existência é uma lida
uma experiência vivida
na busca de toda verdade
com fé, esperança e bondade

Eu percebo a imensidão
preciso viver
o amanhecer
da grande união

Eu não sei onde estou
preciso conter
este tanto sofrer
enxergar quem doou

Nas vicissitudes vividas
onde o caráter enobrece
e a moral nunca esquece
todas lições aprendidas

Na dádiva da tolerância
que ultrapassa distâncias
vimos por toda serenidade
plantando toda igualdade

Eu não sei qual o porvir
preciso rever
todo meu parecer
voltar a sorrir

Eu não sei para o que vim
preciso aprender
plantar e colher
um horizonte sem fim

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Premonição

(montagem com "La Yole" - Renoir -1875)

já olhei teus olhos negros
[pérolas vítreas negras, profundas]
sem consentimento, pressenti tua pele
[alva tez em branco lume, perfume]

não permitas que te foque,
[minha lente ressente e mente]
muito menos, te toque
[minha mão, pura abstrata alusão]

tira teu doce em mel, de lábios
[adjacentes sentires, nem tente]
se escárnio ou sorriso, fluente
[concupiscência anestésica]

delineio teu corpo em dobra
[abstraio e finjo medo, arremedo]
aquiescência do momento impar
[nos trilhos de uma vida, sobra]

curvar-te ao tempo ?...nem experimente
[destrono o ser cativante, e selo]
sortilégio de ventres secos, ausentes
[conluio de azafamas, apelo]

conjuro-te outras esferas que não estas
[eras, outras de tantas, que nem foram]
forja-me em sonho, limo e festas
[já, no ócio, devaneio e sento]

nestes lugares, alhures...
[pesa-me a falta, a calma]
naqueles respirares, algures...
[faz-me à pauta]


(o tempo nos transforma em nada...)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

tut_bit_subway



No vagão lotado do metrô atrasado
a menina dos olhos egípcios
ouvia no seu emepetrês
já, como um dos seus vícios
um rock, samba ou axé arretado

No saguão do metrô apinhado
a menina de boca italiana
falava no seu blackberry
com sotaque de linda baiana
discutindo em tom desvairado

Nos trilhos do metrô antiquado
o bêbado de índole suicida
caía e sangrava em 3D
cheirando a última batida
se desviando de mim
dele, dela e de voce

No comboio do metrô parado
os fantasmas atravessam paredes
choram lágrimas Sartrianas
sonham ectoplasmas inalados
em notebooks ligados em redes...

sábado, 8 de maio de 2010

cerca morta


não há nada que me agrade
do lado de lá daquela grade

quem aqui me cerca
de perto, me aperta
deixa-me sempre alerta

não há grade que me cerque
quem me empurra, me ergue

quem dali, me enxerga
nem daqui, me enverga
vaza-me, une e posterga

não há alarde que me arda
quem me atrasa, não tarda

nada que me abrase está
deste ou daquele lado
do que me agrade

nada faz calar-me, nem tua farda
nem tua sombra, bamba e parda...
Inquira-me enquanto aguarda

sábado, 1 de maio de 2010

eróptca


[Toma um cálice por mim...
Dá-me do teu melhor vinho
aquele, para o qual eu vim
aconchegar-me em teu ninho
]


Lasciva mente, vem e senta
num axioma-ventre , me tenta
pousa tua taça, emborcada
um tanto quanto arcada
molha-me em supino quente
resvala tua vala e tala-me
escoa-me rubro, docemente
verborrágica lícita dentada
terna e mágica viagem içada
Toca-me em jejuno casto
alastra-me teu afoito laço
gingo-te escambo afoito
até que em repente coito,
até que exposto em fogo,
afoga-me em liquor louco
onde um, mesmo que dois
é deveras pouco...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

E-Tango (ou “la cancion de una electro-separacion”)


Apaguei os teus contatos
deletei os teus e-mails
teus perfumes baratos
e os sabor dos teus seios

Escaniei minha memória
procurei toda fotografia
pra esquecer a nossa estória
ledo engano, pura utopia

[refrão]
ah !...quem me dera poder esquecer
toda nossa lesa e triste quimera
todo nosso amanhecer...
ah!...se um dia nos fizemos sofrer
apagar essa memória, quem dera
reformatar todo o HD...

Percorri todas as pastas
dos arquivos do passado
emoções bestas e gastas
que já devia ter detonado

joguei no lixo os nossos DVDs
dos filmes em baixa resolução
msn,facebook, tweeter, icq,
tudo que fizesse te esquecer
tudo a mais pura ilusão...

[refrão]
ah !...quem me dera poder esquecer
toda nossa lesa e triste quimera
todo nosso amanhecer...
ah!...se um dia nos fizemos sofrer
apagar essa memória, quem dera
refomatar todo o HD...
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