Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

XYZ-PQP-Sampa!


“ãn passã”
sampa, sampa, sampa
n’est pas , sampá?

san pá tupi
turiaçú anhaguera
ibirá puera ita quera
a aldeia é aqui

sampa nipon
sampa sam
arigatô japon

samp’italia
san genaro
san paolo
te quiero pita
aglio ed oglio

sampa de nossosinhô
do bom retiro
sampa da bahia
de todos os sampas
oxiiii...axé...oxalá
shana tova!

sampa states
of course!
loco_motion
loco_motivation

sampa loka paca
paca no tietê
sujo-absujo
surdo-absurdo
mudo?-não mudo
só saio e volto no voto
e...só saia se for
à praia!

paulista_no
devoto...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Futuro do pretérito (ou um espaço entre o nada e o lugar nenhum)



Depois de um espirro, enxergo o breu dos meus olhos em 3D
Zettabytes de emoções, que são tantas, como já disse RC
minha memória não é a mesma, mesmo a que está no HD
universos paralelos, íntimos zigotos, entre mim, eu e você

Depois que lavo as mãos é que ligo minha obscura TV
enxugo lágrimas de olhos vítreos, que nunca nada prevê
jatos de areia cintilantes riscam um intocável LP
sem fatos obstantes, nem ao menos dizendo o porquê

de fato, ela me achou um chato ou com cara de pato ?
ia fazer comigo , olhando pro seu belo umbigo, o que ?
Mais uma peça pro seu joguinho ruim à beça
assim, assado, tão mesquinho, pra encaixar no seu bilboquê ?

Hoje meu pescoço está me matando, problema de osso
a gente vai levando, com chazinho de tremoço e
biscoito Piraquê, mas só com manteiga de leve, sem patê !
E vê se não se atreve, voce não é uma leiga nem nada,
nem vem com queijo e goiabada que estou mais pra suflê !

O problema é que o que mata é a saudade
e não tenho mais idade pra esse tido de dilema
e minha preguiça já nasceu, diferente da lingüiça,
sem o sonoro trema, já dentro do esquema
de toda sua identidade...e daí ?

Brigo com irmão, sacristão e prima,
mas nunca perco a minha rima...
Economize papel, jogue fora essa poesia
mais triste que anestesia
desligue a impressora, esconda da professora
e não imprima...

sábado, 10 de setembro de 2011

Antípoda


(A QUEDA DE ÍCARO - Peter Paul Rubens, 1636-80.Óleo sobre tela. Museu de Arte Antiga, Bruxelas.)

Posso ser vil o quanto as flores me instiguem
Posso ser excelência o tanto me agucem os crimes
Deverei ser cruel o quanto me ensine
o azul do céu
Deverei ser caridoso o tanto que me mostre
todo mar lodoso
De minha doce boca sairá enxames
De minha compreensão se instaurarão ditames
De perversas palavras brotarão nações
de tão sórdidas, se louvarão canções
A cada passo ido, voltarei no tempo
e a cada atraso consentido atingirei meu intento
De cada bocada no alimento nobre
vomitarei aos borbotões, até que nada sobre
Minhas mais sinceras lágrimas
corroerão suas faces, como estigmas
Do meu odioso espasmo e grito
resplenderá à elevação, ao solene mito
do que haverá de mais bonito !

Já não colho mais flores, às suas mortes prematuras
Já não lustro os sapatos, à tirar-lhes o pó do tempo perdido
Já não enxugo as lágrimas, que lhe dissolveram os olhos e o rímel
nem tampouco me lavo e me seco, nem me benzo e exorcizo ...
Minhas asas se derreteram sob o deserto escaldante
e nem ao menos, tal como Ícaro,
alcei voo ao seu destino previsível e fatídico
Dédalo de mim mesmo, sigo seguindo meus sóis...

quarta-feira, 3 de março de 2010

A deusa da condução



cenário : Avenida Paulista, Sampa, dia “cool”, “tipo” fim de verão, por volta de duas da tarde.
veículo : transporte público, ônibus, sentido bairro, mais precisamente, Masp para Vila Mariana.

Jeremias entra, para na catraca, pega a carteira, paga e passa.
Ao passar, ainda preso no meio da “borboleta de aço”, nota a poucos bancos em frente, um olhar que por um átimo, cruza o seu.
Ela abaixa a cabeça, desvia, fica de perfil, olhando a janela.
Ele mal observara seu rosto por inteiro (ainda...)
Ela, 30, 35 anos.Ele , mais maduro.

Jeremias senta no banco, logo atrás, mas no lateral.
Sem intenção, tem os cabelos dela à sua mira.

Jeremias ( também como ela...) observava atentamente as personagens que fervilham pela grande avenida.
São trôpegos embriagados, moços em ternos e gravatas, mendigos ajoelhados a pedir qualquer coisa que possam lhe dar, doidivanas , hippies atrasados, "ladies" chiques, coquetes, personagens que parecem mais sair d’um circo burlesco e bizarro.Coisas de grandes metrópoles. Normal.

De repente, por um ímpeto, completamente absorto com as personagens das ruas, Jeremias se achega próximo à ela, por trás de seu ouvido, e diz em voz media, com um sorriso discreto no rosto : “...a gente encontra cada personagem em São Paulo, não é mesmo ?”

Ela, sem surpresa, vira-se a meio rosto, e com um certo rubor nas faces (timidez, quem sabe...) abre um doce sorriso e responde : “Sim...é mesmo...é verdade...Voce viu aquela senhora cigana ?
“Vi sim..”, responde Jeremias, também com um sorriso no rosto e continua :“agora...eu queria ter uma câmera fotográfica nas mãos, com uma grande objetiva, pra captar essas personagens...”(risos de ambos)

Ela afirmou com a cabeça, sorrindo ainda...Jeremias sentiu que ela iria continuar a conversa, bem como ele tb continuaria.
Mas o celular da moça toca...Ele respeita e interrompe a conversa

Ela diz a alguém, em voz baixa ( dava-se pra perceber de longe que era uma pessoa extremamente fina, educada e que tais...). Jeremias ouve um pouco , e discretamente nota que ela explica que está na Paulista, coisa e tal...
De repente, após a ligação, ela fica meio sem jeito...Guarda o celular e dependura a bolsa no ombro e balbucia meio sem graça, leve sorriso (ou seria decepcionada ?...), olhando para Jeremias : “ ...caminho inverso...tenho que voltar...”
Ela se levanta já apressada ao próximo ponto, dá o sinal, vira-se para Jeremias e diz, olhando dentro dos olhos dele, também : “...faz sim...quem sabe um dia não vejo suas fotos publicadas...”

(Daí foi que Jeremias observou atentamente o rosto maravilhoso da moça...Olhos amendoados, cor de mel claro transparentes, um sorriso de derreter aço carbono...Corpo esguio. Voz suave, grave, aveludada, dicção perfeita !...Lindíssima...simpaticíssima...uma verdadeira deusa encarnada dentro de uma condução paulistana...Seu coração acelerou como há muito não acontecia...Seria "amor" à primeira vista ?..mas, Jeremias não acredita nisso !...pobre Jeremias...)

O ônibus freia...O ponto está aí...Ela se equilibra e caminha em direção à porta...Algum tumulto normal em pontos de ônibus...

Ambos tem expressão de “nunca mais nos veremos”.

Jeremias acena do banco, olhando dentro dos olhos de sua deusa sem nome e diz : “...boa sorte !”....ela retribui com o mesmo : “...boa sorte...”

Jeremias ainda tenta olhar para trás, pela sua janela, mas ela já havia sumido na multidão... (aventou consigo mesmo : "...saio e vou atrás...me apresento ?...deixo cartão ?...")

Será que Jeremias perdera para sempre a oportunidade de recomeçar a sentir essa adrenalina dos deuses ?...Será que realmente nunca mais a veria ?...Será que em meio a 12 milhões de almas, um dia reveria “sua deusa” de poucos minutos ?

Jeremias não dormiria mais sem pensar nessas possibilidades.
Nem naquela noite e nem em muitas noites adiante...

sábado, 23 de maio de 2009

Menestréis de asfalto


Na minha cidade vejo gente
gente de variados mundos
andarilhos, incógnitas, indigentes
sem eira nem beira
que se esgueira,
sem fundos

Na minha cidade pungente
vejo tristeza e testa enrugada
dando duro em apressado batente
maltrapilha, com a pele embrulhada
rancor de quem é desprezada
e a cada dia que passa,
em agonia
vê a vida em vão, esbugalhada

Na minha cidade imponente
vejo meu povo meio-matuto
cabisbaixo, vestido de luto
sob comando do astuto
que dita a dura impertinente
com fina lâmina de corte arguto

Na minha cidade vejo gente
que nada leva em mente
mesmo que se lamente
de um futuro indecente
onde se vê aniquilado
perdido, ferido e vilipendiado

Na minha cidade inclemente
vejo a tentativa insistente
de um povo dócil,
sempre carente
que petrifica igual um fóssil
oh! pobre dessa gente tão crente...

Na minha cidade vejo gente de todo matiz
são atores, mambembes cordéis,
pensadores, prostitutas, bacharéis
trovadores, alquimistas, menestréis
que vivem estendendo seus carretéis
a se equilibrarem, no meio-fio,por um triz...
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