MUITO CUIDADO
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UTILIDADE PÚBLICA - ALERTA URGENTE AOS AMIGOS !!! CUIDADO !!! REPITO: MUITO
CUIDADO !!! SE VOCÊ RECEBER UM E-MAIL, COM ARQUIVO ANEXO, DIZENDO: "FOTOS
DA DI...
Sou o que sou
- Joe_Brazuca
- Sampa, SP, Brazil
- Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Feliz Natal e Bom ano bom !
“Tenha certeza que o ano novo
será melhor
Viva a certeza que mais um dia
o sol irá nascer
É no caminho de nossas vidas
que a esperança se faz
É no trabalho que alcançamos
o poder de realizar
Todas as vidas serão brindadas
é só querer viver
Que o futuro se planta agora
pra se vencer o amanhã
Sempre tentar e insistir
aprendendo a não desistir
Sempre seguindo em frente
querendo e podendo alcançar
Todos os sonhos são do tamanho
da vontade de acontecer
para criar sempre um mundo melhor
é só acreditar...
para viver cada dia melhor
é só querer sonhar !”
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Marcelo Novaes entrevista Joe "Brazuca" Canônico (ou "Lustrando o ego")

(O Escritor/Poeta Marcelo Novaes entrevista Joe Canônico em 6 DE NOVEMBRO DE 2010)
MN: Bom conversar com um maestro, com quem sabe por trilha sonora na paisagem. "Joe Brazuca é terra", diz você. Em que grau, Joe? E qual a trilha sonora da paisagem que teu olhar enxerga?
JB: Novaes !...Primeiro deixa te agradecer publicamente ao convite!...Valendo muito !
Esse lance de trilha sonora é bizarro, sabe?...rs...
Me fez lembrar um professor de composição que tive na “facul” (rs rs rs...) que vivia dizendo que “compositores se medem pelo fôlego: se são bons, tem o fôlego longo, se ruins, o fôlego é curto” (conceito completamente fora de propósito, claro !...). Um belo dia, pra arrasar mesmo (sempre fui muito “ácido” em minha vida escolar e acadêmica), me levantei e “machuquei”: e os criadores de jingles geniais e super conhecidos, como é que ficam ?...Serão eles “compositores menores” por criarem estruturas composicionais perfeitas de no máximo 30 segundos ? Não deu outra: classe se esborrachou e o mestre me virou a cara por um bom tempo... O que valeu, foi que ele (ao menos nos pareceu à época...) começou a mudar seu conceito, pois trocou o seu bordão...
Joe Brazuca é terra por ter que viver nela, inexoravelmente! Pelo menos seu lado corpóreo, mesmo que, sua mente pseudo-poética, viva um bom tempo longe dela, sabe-se lá onde... Contudo ele é “Terra Total”, quando vê seu próximo sofrer os desmandos dos déspotas, e o aniquilamento dos direitos inequívocos do humano, a serviço do desumano... Quanto vê e sente o caminhar desenfreado das injustiças sociais e os perigos emergentes da Nau do mundo, que insiste estupidamente no equívoco do dualismo entre bombordo e estibordo, esquecendo-se que, a qualquer lado que aderne, corre sério perigo de afundar, esquecendo-se da importância da quilha central, que promove o equilíbrio... Quando vê crianças entre cavalos de aço, implorando migalhas à sociedade que lhe mostra solidárias, em propagandas de governos absurdas e caóticas, e nas telinhas brilhantes das TVs... Quando observa a fanfarra de uma sociedade hipócrita que nega a si mesma, absorvida pelo desejo nefasto de TER, pela prepotência de SER, e pelo esquecimento do FAZER e CRIAR...
A minha trilha ?...É a mesma que a sua...que a nossa...que a de todos os homens de boa vontade: igualdade em Sol maior / fraternidade em Lá sustenido / Solidariedade em Si bemol e Caridade em Dó maior...(rs)
MN: Quanto de absurdo cabe na tua escrita, Joe?
JB: Todo ele. Onde e quando e como estiver.O absurdo é meu universo, meu mote, meu lastro criativo ou pseudo-estrutural. É o cimento do meu caos individual e perpétuo. É a morte do meu mundo ectoplásmico. É minha antena enferrujada de maresia, sem anestesia, que captura a anti-matéria do inconsciente, do obscuro id.
MN: Você é "canônico” no sobrenome [João Eduardo Canônico], e também religioso. Você enxerga algum olhar enviesado quando assume a religiosidade na escrita ? O profano [ou profanador] é mais pop?
JB: O sobrenome é uma sina, um signo, uma senha... Fui premiado e/ou amaldiçoado com o meu!...rs. Contudo, a religiosidade contida nesse conjunto de letras, bem como sua livre tradução (cânon, cânones eclesiásticos, regras episcopais, e que tais...), não exprimem as minhas verdades e vertentes religiosas.
Religião vem de “religare”, e nós já nascemos ligados! E permanecemos ligados todo o tempo à “Nave-mãe”. Só teimamos em não perceber essa sutileza. É mais prático pensarmos em autonomia. Porque delibera e valida o livre arbítrio. Mas este, o livre arbítrio foi uma conquista compulsória.
Mas isso não é de certa forma, nossa “culpa” (ela sempre aparece nesses quesitos, inevitável...rs: as próprias religiões e seus dogmas fabricados é que nos afastaram, paradoxalmente, da verdadeira idéia de Deus e seus adjacentes. Ou seja, de uma forma palmar, o que era pra ser, não foi e vice-versa, ao contrário...o avesso do reverso: a "piece de resistance” do submerso.
Agora, o que muda é o caminho (como o arqueiro Zen, o que importa é o caminho e não o alvo...), o tipo de coligação, conceitos e preconceitos inerentes, coisa e tal... Daí é que entra o sacro e o profano, que hoje se misturam, tal como o politicamente correto e sóbrio, e o politicamente incorreto e anárquico... Mas não vejo nisso uma condição de dosagem no templo do pop, nem pra mais, nem pra menos...O pop é pela sua condição de não ser, e se auto-anula, não pelo profano, mas pelo contrário, pelo sacro.
O paradoxo que transmutou em paradigma. “Ecce Homo”.
MN: Quais as adjacências da tua escrita? A tua letra roça em que?
JB: Essas “writer-adjacências” são e estão às semelhanças de quem as roça, e vice-versa, reciprocamente equilibrado. Aliás, adjacências, roçar e que tais, soam um belo Tango!...É isso! Minha escrita, quando roça em que, ou em quem, está adjunta a um Tango ! ... Óbvio ululante. rs rs rs
MN: O que te ensina a "cúbica solidão"? [A solidão é cúbica em certa poesia tua...].
JB: A solidão é sempre um inteiro que tende em metade, dentro um quarto. Todo quarto é cúbico. Todo cubo é solitude inteira, ao quadrado. Silogismo auto-redundante-cíclico básico. Pura efeméride aritmética.
MN: Quais são suas "divas peroladas", nas artes? E com que escritores é bom conversar? Complementando, e melhor ainda: com quais é bom interromper a conversa?
JB: Qualquer arte (ainda não sei bem o isso significa...) que me espelhe ou espelhe as pupilas que me observam, tal como madre-pérola. Puro “state of art”. Puro êxtase divinal.
Converso com os escribas que me convidarem à interlocução, dependendo do nosso estado de espírito. Do meu, por compulsão, os deles, por conclusão. Estamos todos sempre procurando por alguém, todo tempo, mesmo que seja por nós mesmos.
No momento mantenho estreito colóquio com Dante Alighieri, Norman Mailer e Augusto do Anjos...
Graciliano Ramos e o Evangelho segundo o Espiritismo e “Quem somos nós”, são meus amigos de cabeceira, no momento. Intercalo conversas interessantes entre eles... ah! despendo todo tempo que posso, em muitos blogs de amigos, correligionários e circundantes: “blogo-esfera” das letras (e algumas dos sons...) são também pérolas nacaradas de rara beleza...!
Hoje em dia interrompo qualquer esboço de colóquio, em se tratando de embustes políticos sobre as questões intermináveis da Humanidade.
Com o perdão do termo chulo que logo se aproxima: tal como ações políticas nefastas acabam em “pizzas”, principalmente em países deficitários, diálogos políticos costumam acabar em merda. Não tenho nem mais idade, nem mais intimidades para isso. E olha que me considero um “homo politicus”!
MN: O músico tende a valorizar mais ritmos e aliterações [compassos e síncopes, "a música escondida na fala"] do que imagens?
JB: Sem dúvida. A palavra é a medida exata da sua sonoridade. Transmuta-se com o ritmo. Acasala-se com a harmonia. Quando a palavra aglutina-se ao “modus operandi”, do trinômio Melodia, Harmonia e Ritmo, cria-se uma situação única e irreversível à nível semiótico: ficarão completamente fundidas, quase como luz, quasar e matéria.
Imaginemos uma poesia. Depois que ela é musicada, jamais conseguiremos entendê-la da primeira forma. A recíproca é verdadeira.
Por vezes, uso este recurso, a aliteração, em meus trabalhos, às vezes também, algo que esbarra no “absurdo” (aquele, lá de cima...rs), mesmo que fuja o nexo, pois é provável que naquele instante, perante aquela verdade poética, a fonética é o que vogue.
MN: O poema cutuca o medo, apazigua, ou ambas as alternativas? Acha que a poesia é boa oração, ou pálido substitutivo de quem não sabe orar?
JB: Sem dúvida, ambas. O poema é um grito no escuro. Assusta tanto à vítima, quanto ao algoz. É adrenalina e Lexotan. Cafeína com Rivotril. LSD com marshmallow. Tudo concomitantemente sincronizado. Nada é funcional sem a emoção e tudo é emocional em sua função.O Poema é a exegese de si mesmo. Proposição semiótica da escrita e fala. Ensaio do palco do surreal.
A boa oração é a poesia de quem não sabe versejar.
A poesia, tal como a oração, é intrinsecamente insubstituível. É o codex do divino, sempre, seja ela como for, venha de onde vier, vá para onde queira. “Carmina Burana”, saca?
MN: Dos escritores, roteiristas e dramaturgos que você já leu [e eu sei que você gosta de roteiros e peças, como textos], quem [ou quais] colocou [/colocaram] mais musicalmente as coisas e as idéias, mesmo sem o pentagrama estar ali?
JB: Glauber Rocha, sempre.
Constantin Stanislavski, de uma certa forma.
Federico Fellini, incontestavelmente.
Píer Paolo Pasolini, algumas muitas vezes.
Luigi Pirandello, “comme il faut”.
François Truffaut, música pura
Obrigado, caro Novaes!
MN: Obrigado, Joe.
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
estranhas entranhas ( Píer 55)

o que vai a mim, não sou eu
o que está em mim, se perdeu...
o que faz tão largo,
este residente amargo ?
por que o que me arvora,
incólume, me devora ?
o que vem de mim, não é meu
o que passa por mim, esvaeceu...
por que este âmago latente
que finge, morre em mim,
e mente ?
o que pesa em mim, corroeu
o que leva de mim,
dentro, e perto, e centro
estremeceu...
por que e onde d’essa ânsia,
que já é fulcro e reentrância ?
por que o que preso, excreta,
e me assola, e se decreta ?
o que jaz por mim, já viveu
o que vive em mim, já jazeu
o que foge de mim, pariu
o que queima de mim
já esmoreceu...
o que longe de mim, partiu
o que próximo de mim,
nada mais aconteceu...
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010
ventania

as pedras cinzas
estão inertes e frias
sobre os dormentes
petrificados em óleo
escorrido de um tempo
marcado pelo caminho
árduo e redundante...
as rosas angelicais
já não perfumam mais
os anjos rosáceos...
olhares perdidos
cansados do tanto
e quanto ferido,
aglutinam-se
no esperar de um
amanhã que tarda
em chegar
e claudica a andança...
as rosas ornamentais
já não denotam mais
os anjos corados...
o perfume embaçou-se
no espelho esborrifado
a moldura dourada
descascou-se em linho
pérfido e gentil
e trouxe a mágoa
das almas espremidas...
as rosas orientais
já não propagam mais
os arcanjos umedecidos...
assim como se morre,
perpetuam-se os laços
entre corações que ardem
labaredas aquosas
sinuosamente lentas
e decadentes toscas
dos ventos parcos, secos...
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
hoje é Domingo !

hoje é domingo, a tarde tem bingo
se tiver sol, vira até um futebol
em Sampa, tudo encanta
dia de “macaroni con braciola”,
e ninguém precisa ir pra escola !
na Paulista, até onde alcança a vista
dá pra andar “de a pé”
do Trianon, até a praça da Sé
e se fosse mais novo de novo
quem dera, doce quimera
iria fácil, fácil até o Ibirapuera...
hoje é domingo, pé de cachimbo
gente chique usando cartola
moça bonita com brinco “argola”
dia de criança descalça e “mendingo”
correndo da fome e pedindo esmola...
hoje é domingo
dia de “macaroni con braciola”
e ninguém precisa ir para escola !
Dia de missa e canto na igreja
barrigudo na praça, gente que abraça
enchendo a lata de cerveja...
latinha vazia no chão entupindo bueiro
e os “gari” na segundona, ralar o dia inteiro...
hoje é domingo, pede o cachimbo
dia de futebol, samba e atabaque
dos Jardins, gringo e sotaque
arquitetura de Tomie Ohtake
hoje é domingo, dia de bingo
e cachimbo cheio de craque
no centro da cidade...
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
Qual é nossa missão ?

Eu não sei minha missão
preciso saber
para eu entender
o meu coração
Eu não sei bem quem eu sou
preciso saber
para eu resolver
se fico ou se vou
Nas intempéries da vida
até uma mão estendida
viver toda dignidade
sempre com boa vontade
Toda existência é uma lida
uma experiência vivida
na busca de toda verdade
com fé, esperança e bondade
Eu percebo a imensidão
preciso viver
o amanhecer
da grande união
Eu não sei onde estou
preciso conter
este tanto sofrer
enxergar quem doou
Nas vicissitudes vividas
onde o caráter enobrece
e a moral nunca esquece
todas lições aprendidas
Na dádiva da tolerância
que ultrapassa distâncias
vimos por toda serenidade
plantando toda igualdade
Eu não sei qual o porvir
preciso rever
todo meu parecer
voltar a sorrir
Eu não sei para o que vim
preciso aprender
plantar e colher
um horizonte sem fim
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Premonição
(montagem com "La Yole" - Renoir -1875)

já olhei teus olhos negros
[pérolas vítreas negras, profundas]
sem consentimento, pressenti tua pele
[alva tez em branco lume, perfume]
não permitas que te foque,
[minha lente ressente e mente]
muito menos, te toque
[minha mão, pura abstrata alusão]
tira teu doce em mel, de lábios
[adjacentes sentires, nem tente]
se escárnio ou sorriso, fluente
[concupiscência anestésica]
delineio teu corpo em dobra
[abstraio e finjo medo, arremedo]
aquiescência do momento impar
[nos trilhos de uma vida, sobra]
curvar-te ao tempo ?...nem experimente
[destrono o ser cativante, e selo]
sortilégio de ventres secos, ausentes
[conluio de azafamas, apelo]
conjuro-te outras esferas que não estas
[eras, outras de tantas, que nem foram]
forja-me em sonho, limo e festas
[já, no ócio, devaneio e sento]
nestes lugares, alhures...
[pesa-me a falta, a calma]
naqueles respirares, algures...
[faz-me à pauta]
(o tempo nos transforma em nada...)

já olhei teus olhos negros
[pérolas vítreas negras, profundas]
sem consentimento, pressenti tua pele
[alva tez em branco lume, perfume]
não permitas que te foque,
[minha lente ressente e mente]
muito menos, te toque
[minha mão, pura abstrata alusão]
tira teu doce em mel, de lábios
[adjacentes sentires, nem tente]
se escárnio ou sorriso, fluente
[concupiscência anestésica]
delineio teu corpo em dobra
[abstraio e finjo medo, arremedo]
aquiescência do momento impar
[nos trilhos de uma vida, sobra]
curvar-te ao tempo ?...nem experimente
[destrono o ser cativante, e selo]
sortilégio de ventres secos, ausentes
[conluio de azafamas, apelo]
conjuro-te outras esferas que não estas
[eras, outras de tantas, que nem foram]
forja-me em sonho, limo e festas
[já, no ócio, devaneio e sento]
nestes lugares, alhures...
[pesa-me a falta, a calma]
naqueles respirares, algures...
[faz-me à pauta]
(o tempo nos transforma em nada...)
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quarta-feira, 3 de março de 2010
A deusa da condução

cenário : Avenida Paulista, Sampa, dia “cool”, “tipo” fim de verão, por volta de duas da tarde.
veículo : transporte público, ônibus, sentido bairro, mais precisamente, Masp para Vila Mariana.
Jeremias entra, para na catraca, pega a carteira, paga e passa.
Ao passar, ainda preso no meio da “borboleta de aço”, nota a poucos bancos em frente, um olhar que por um átimo, cruza o seu.
Ela abaixa a cabeça, desvia, fica de perfil, olhando a janela.
Ele mal observara seu rosto por inteiro (ainda...)
Ela, 30, 35 anos.Ele , mais maduro.
Jeremias senta no banco, logo atrás, mas no lateral.
Sem intenção, tem os cabelos dela à sua mira.
Jeremias ( também como ela...) observava atentamente as personagens que fervilham pela grande avenida.
São trôpegos embriagados, moços em ternos e gravatas, mendigos ajoelhados a pedir qualquer coisa que possam lhe dar, doidivanas , hippies atrasados, "ladies" chiques, coquetes, personagens que parecem mais sair d’um circo burlesco e bizarro.Coisas de grandes metrópoles. Normal.
De repente, por um ímpeto, completamente absorto com as personagens das ruas, Jeremias se achega próximo à ela, por trás de seu ouvido, e diz em voz media, com um sorriso discreto no rosto : “...a gente encontra cada personagem em São Paulo, não é mesmo ?”
Ela, sem surpresa, vira-se a meio rosto, e com um certo rubor nas faces (timidez, quem sabe...) abre um doce sorriso e responde : “Sim...é mesmo...é verdade...Voce viu aquela senhora cigana ?
“Vi sim..”, responde Jeremias, também com um sorriso no rosto e continua :“agora...eu queria ter uma câmera fotográfica nas mãos, com uma grande objetiva, pra captar essas personagens...”(risos de ambos)
Ela afirmou com a cabeça, sorrindo ainda...Jeremias sentiu que ela iria continuar a conversa, bem como ele tb continuaria.
Mas o celular da moça toca...Ele respeita e interrompe a conversa
Ela diz a alguém, em voz baixa ( dava-se pra perceber de longe que era uma pessoa extremamente fina, educada e que tais...). Jeremias ouve um pouco , e discretamente nota que ela explica que está na Paulista, coisa e tal...
De repente, após a ligação, ela fica meio sem jeito...Guarda o celular e dependura a bolsa no ombro e balbucia meio sem graça, leve sorriso (ou seria decepcionada ?...), olhando para Jeremias : “ ...caminho inverso...tenho que voltar...”
Ela se levanta já apressada ao próximo ponto, dá o sinal, vira-se para Jeremias e diz, olhando dentro dos olhos dele, também : “...faz sim...quem sabe um dia não vejo suas fotos publicadas...”
(Daí foi que Jeremias observou atentamente o rosto maravilhoso da moça...Olhos amendoados, cor de mel claro transparentes, um sorriso de derreter aço carbono...Corpo esguio. Voz suave, grave, aveludada, dicção perfeita !...Lindíssima...simpaticíssima...uma verdadeira deusa encarnada dentro de uma condução paulistana...Seu coração acelerou como há muito não acontecia...Seria "amor" à primeira vista ?..mas, Jeremias não acredita nisso !...pobre Jeremias...)
O ônibus freia...O ponto está aí...Ela se equilibra e caminha em direção à porta...Algum tumulto normal em pontos de ônibus...
Ambos tem expressão de “nunca mais nos veremos”.
Jeremias acena do banco, olhando dentro dos olhos de sua deusa sem nome e diz : “...boa sorte !”....ela retribui com o mesmo : “...boa sorte...”
Jeremias ainda tenta olhar para trás, pela sua janela, mas ela já havia sumido na multidão... (aventou consigo mesmo : "...saio e vou atrás...me apresento ?...deixo cartão ?...")
Será que Jeremias perdera para sempre a oportunidade de recomeçar a sentir essa adrenalina dos deuses ?...Será que realmente nunca mais a veria ?...Será que em meio a 12 milhões de almas, um dia reveria “sua deusa” de poucos minutos ?
Jeremias não dormiria mais sem pensar nessas possibilidades.
Nem naquela noite e nem em muitas noites adiante...
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segunda-feira, 1 de março de 2010
Homenagem aos 100 anos de Adoniran Barbosa ( por Marcos Pontes)
Uma homenagem de Marcos Pontes, a Adoniran Barbosa ,100 anos do nascimento.
Vídeo e Letra de Marcos Pontes; Música, violão e voz de Jota Lago; Piano, de Joe Brazuca.
Vídeo e Letra de Marcos Pontes; Música, violão e voz de Jota Lago; Piano, de Joe Brazuca.
VIVA João "ADONIRAN BARBOSA" Rubinato !...
(assista na integra aqui :http://www.youtube.com/watch?v=I4oyVmdUPBI)
(assista na integra aqui :http://www.youtube.com/watch?v=I4oyVmdUPBI)
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
reticência...

Hoje no meu caminho,
só adjacência
não há em meu ninho
nenhuma permanência
só ausência
e pergaminho
de pura aderência
leve linho
tinto de vinho,
minha preferência
abstinência,
sigo sozinho
com elegância
só , como meu pinho
só essência
ledo, escrevinho
irreverência
sobre
vivência
reticência...
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Kodacolor em P&B

rever “in photo”________quantos sorrisos
tempos recentes ____ ___gestos ausentes
viver novamente _______perfumes...
olhar “in loco”_______ __odores tão parecidos
poses, encaixes_______ _foge o tato,
toques antigos_________cumplicidade...
indeléveis____________o ato, agora falho
susceptíveis________ __gestos secretos
tudo, amigos__________comestíveis
mudo, abrigos_________afetos
folha sem galho________sonho poeira
galho sem tronco_______sem beira
manco_______________precipício
trôpego______________todo passado
solta, aperta__________volta, de volta
devassa______________assalta
saudade da falta...______choro bobeira
me exalto____________sem eira
suor antigo, exalo______hospício
grito rouco___________tolo amassado
louco, alto___________solta, sem volta
escuto pouco_________sem orla
a madrugada_________depressiva mente
ausente_____________distante
contorce____________distorce
macula a pele________a língua carente
disforme____________angustiada mente
o corpo despede_______num blues
despe-se____________acorde
quase morto_________em sol menor
do prazer___________acordo
que jaz_____________não durmo
absorto_____________desperto
tanto faz,___________nunca mais ?
já é tarde...__________quem sabe...
tempos recentes ____ ___gestos ausentes
viver novamente _______perfumes...
olhar “in loco”_______ __odores tão parecidos
poses, encaixes_______ _foge o tato,
toques antigos_________cumplicidade...
indeléveis____________o ato, agora falho
susceptíveis________ __gestos secretos
tudo, amigos__________comestíveis
mudo, abrigos_________afetos
folha sem galho________sonho poeira
galho sem tronco_______sem beira
manco_______________precipício
trôpego______________todo passado
solta, aperta__________volta, de volta
devassa______________assalta
saudade da falta...______choro bobeira
me exalto____________sem eira
suor antigo, exalo______hospício
grito rouco___________tolo amassado
louco, alto___________solta, sem volta
escuto pouco_________sem orla
a madrugada_________depressiva mente
ausente_____________distante
contorce____________distorce
macula a pele________a língua carente
disforme____________angustiada mente
o corpo despede_______num blues
despe-se____________acorde
quase morto_________em sol menor
do prazer___________acordo
que jaz_____________não durmo
absorto_____________desperto
tanto faz,___________nunca mais ?
já é tarde...__________quem sabe...
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sábado, 9 de janeiro de 2010
Meta-mór-fretless (um Blues para Ella...)

Eu acreditei em Deus
my God !..oh! Deus
tanto,que fiz filhos todos meus
Acreditei em desodorantes,
que vidro tipo barato
se corta com diamantes...
Em monges Tibetanos
que eram meio assim,
super-humanos
ledos enganos
meu Deus !
quantos enganos...
Eu acreditei em advogados
togados safados, mentes astutas
bando de filhos de putas
(salvando a honra das últimas...)
Acreditei em seus beijos
sabor goiabada com queijo
no seu jeito “blasé”
e eu assim, meio démodé
que quando você me telefona
com aquela voz bem sacana
você tá querendo só ir pra cama
mentirosa !...
só me engana
quer minha grana
e eu fico na maior gana...
acreditei no noticiário,
na assepsia dos berçários,
que o deserto escaldante
atravessa-se em dromedários
ledo ordinário
meu Deus !
sou um grande otário...
acreditei piamente
no seu assédio deprimente
só pra abafar meus acordes
do meu Blues estridente
acreditei na sua lábia
dando uma de sábia
me levando pr’uma encruzilhada
com pinta de descarada
é nada !...
quer detonar meu Blues
com esses olhos azuis
me fazer acreditar na sua
e me detonar no meio da rua...
tolo, acreditei
meu Deus !
como acreditei...
fretless...escorreguei !
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Sobre poeira, cirandas e cantilenas

O paraíso é um lugar onde
nada se transforma, tudo se cria.
Ecologicamente incorreto...
Ele tem duas santas
duas santas lhe convêm
uma lhe cobre de mantas
outra lhe dá o vintém
Abuso do uso
oculto-me
ocluso distorço
o fuso
professo-me
profuso
obtuso disfarço
o luso
O paraíso é uma enorme
mesa de quitutes
onde comemos sem parar...
Uma Santa lhe corta as unhas,
acaricia os pelos
e lhe cora as faces...
Outra ouve-lhe as poesias,
canta aos seus apelos,
e põe as pernas a enlaces
confuso do uso
abstrato
retrato
concluso ato
perfuro e mato
abuso
destrato
O paraíso é um bordel
onde pululam vaginas
sempre lúbricas
e pênis eternamente eretos
Uma Santa lhe varre a casa,
arruma a mesa
lambe-lhe com destreza
Outra tece-lhe sonhos,
ouve seus bisonhos,
afaga-lhe o ventre
aguça sua mente...
Castro desuso
perpetuo
atuo no vasto
astro recluso
objeto permuto
mudo
duro alabastro
O paraíso é uma Rodeo Drive
com cartão de crédito sem limite...
Ele tem duas Santas
duas Santas lhe convém
uma Santa a direita
outra Santa a esquerda
para as duas ele reza
às duas serve de presa,
mas no altar, sem ninguem...
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Esboço de uma Sinfonia

Penso numa Sinfonia, que surja assim, como poesia...
Será tarefa pouco fácil, aliás, exigirá percepção tátil
olfato aguçado, visão esmiuçada e audição impecável.
Ainda estudo alguns temas, penso em alguns dilemas
que percorrerão meu caminho, às notas do pentagrama,
no decorrer do pergaminho...
O primeiro movimento, já anteouço no início,
uma lúgubre linha de contra-baixos, que me darão
provimento à esses tempos difíceis, poucos propícios,
que rastejam lentamente, em segundas menores
descrevendo outros futuros piores...
Cadências ostensivas no naipe das cordas,
seguirão pesadas em acordes dissonantementes mundanos
expressando tempos profanos, de gangues e hordas
Na percussão, tímpanos conduzirão o ritmo trépido
da cavalgada apocalíptica em sete por oito, com tesis
no primeiro tempo, seguido de rufar de tarois estridentes
contra-ritmando em ternário, absurdo e azafamo berçário
de indigentes, balaústres pingentes de todo tipo de gente...
Em solene momento, entram em solo, trombetas anunciantes
em notas longas e arrasantes, em acordes poderosos e
células rítmicas iguais, mostrando soberbas fenomenais,
ponteadas nota a nota por caixas dilacerantes como
nunca se ouvira antes...
Após a abertura, suave melodia se prostrará, vindo do
naipe das madeiras, onde um colóquio melódico entre
um oboé,uma flauta e uma clarineta, mostrando que ainda
resta alguma candura, entre os homens de boa vontade,
mesmo que na clausura, poderá existir ainda justa sociedade...
Os metais agora abafados em surdinas, seguem calçando
pomposamente aquele colóquio, em pianíssimo,
com solenidade perene, “andantíssimo"
majestosa harmonia, como se belas aves bailando
seguem em perpetuo cânone, com um certo ralentando...
Numa coda final, resumem-se tocatas magníficas, entoadas
em “tutti”, com a orquestra bradando em peso, como se
todo humano tivesse semblante de paz em veste honorífica...
Arpejos aéreos vagarão docemente,tal como
sorriso de apaixonado adolescente, acompanhando em piano,
em harmonia ascendente...
Trítonos contundentes, se insinuarão em trompas e
contra-fagotes, em acordes diminutos menores, mutantes,
digladiarão com pífanos estridentes, tal qual laminas cortantes
anunciando todos estupores, como estranguladas glotes...
Este será, do primeiro aos últimos movimentos, o mote.
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sábado, 5 de dezembro de 2009
Panetone de arruda ( sugestão prum sambinha sem-vergonha)

I
Panetone de arruda
Esse ano Brasília vai tê
Vô prantá pequena muda
Pra dá di todo mundo cumê
Tem cuíca no sambinha
Pro povinho todo sambá
Tem dinheiro nas cueca
Nota de 100 vai melecá
(refrão)
êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
panetone de arruda
a povo vai exprimentá
êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
o dinheiro nas cueca
é pro povo assustentá
II
a arruda tava podre
antes mesmo de prantá
resorvero bota o omi
adespois, n'outro lugá
num deu outra minha gente
nota de 100 foi pará no cocô
e arruda podre, e fede
os panetone azedô
(refrão)
êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
democratica arruda
o povo vai é se ferrá
êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
panetone nas cueca
toda grana vai melá
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Que grande ideia
(na foto, Carol e seu irmão, Fauzinho)

Que grande ideia tivemos
Ao mudar nossa língua natal
Ficou mais parecida com a que falava
o Vice-Rei de Portugal
Não foi minireforma
Desapareceram acentos, que joia
Sumiram circunflexos, quem diria
Pessoas não creem no que leem
Mas nós pan-americanos
Super-homens, supersônicos
Pedimos que se averigue
Se os voos seguiram bem
E nos churrascos gaúchos
Para que se apazigue o ânimo
Alguns, sem autocontrole
Só comem linguiça sem trema
E como se não bastasse
Nosso alfabeto, quem diria
Ganhou letras novas, que são :
K,Y e W
Caroline Rocha de Melo Pimenta Skaf

A Carol tem 16 anos, é minha "priminha-neta" ( nós descendentes de italianos, somos inventores de graus de parentescos inimagináveis !...), neta de Jurema, minha prima-irmã, e filha de Fauzi e de Maria Fátima , tb meus primos.
Bem, apresentações feitas, olha que legal e criativo o que ela escreveu para a escola, com o tema "Reforma Ortográfica", sugerido pela professora :
Bem, apresentações feitas, olha que legal e criativo o que ela escreveu para a escola, com o tema "Reforma Ortográfica", sugerido pela professora :
Que grande ideia tivemos
Ao mudar nossa língua natal
Ficou mais parecida com a que falava
o Vice-Rei de Portugal
Não foi minireforma
Desapareceram acentos, que joia
Sumiram circunflexos, quem diria
Pessoas não creem no que leem
Mas nós pan-americanos
Super-homens, supersônicos
Pedimos que se averigue
Se os voos seguiram bem
E nos churrascos gaúchos
Para que se apazigue o ânimo
Alguns, sem autocontrole
Só comem linguiça sem trema
E como se não bastasse
Nosso alfabeto, quem diria
Ganhou letras novas, que são :
K,Y e W
Caroline Rocha de Melo Pimenta Skaf
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Instituto Sacrosântico de Nomeamento

De acordo com o inciso 5º , do parágrafo 2º, do apêndice extemporâneo, abcluso da 100ª
instância debolecadora da perínfea exagonal da Constituição Sideral, não se abjetam as perênclias instrucionais que rezam e tergiversam nas alêndronas esfínticas do acórdão instituído pelos meritíssimos Doutores, já calendos e parassintéticos togados nas cercânias intra-pleurais, Senhores absolutos aqui pré-nomeados, sendo eles, abssínticos, analícreos, colunáceos , os quais nomeia-se a seguir, impetrosamente :
- Sua Santíssima Santidade, cátedro vitalíneo da sapiência divina, excelentíssimo Doutor Sr. Jose João Paranhos da Imaculada Conceição d’Almeida Sfinkter da Silva;
- "Exacre-Causae", datavênioso ejactante, de extrema veniência, sua excelentíssima excelência e excelente, Senhor Doutor Marionte Cardoso Albuquerque Moura Raton da Silva;
- Incólume, inaudível, amabilíssimo, anacreontico e metascrático, Sr. Doutor Pedro Honoris Sucumbacci da Silva e Silva, professor-doutor-phd-MBA-SCI-DOICOD em trigonologo-político-psicogastricologia;
- Metereoríssimo dentário buco-parlamentar, emério e proscrástico sócio-fundador do Clube de Roterdam da Paraíba, Sr. Doutor Cícero Pimentel Onofre Godofredo Scarting Sousa e Silva Praxedes da Costa.
Nomeia-se, sem contra indispostos,destravantes e abolecamentos, transsexuais, impertinências e/ou discurcivas precatorianas , empossados estão , cardiolisticamente apoiados nas conjecturas apocalípticas, sem sequer asseveclar tributariamente, nas contrapartidáceas infra-sonoras,
informacionais e tribalísticas.
Mutatis mutantis ritalíricos, execra-se quaisquer indisposições pré-vomitantes sub-contrárias e latejantes, entre elas as gineco-avassaladoras, inflamatórias, bem como as papanicolônicas pubianas e correlatas.
Assino escrevendo-me em sub-positório e por debaixo com toda falácia que me é doidivanamente asseverada, nesta data e local;
Sr.Doutor Sua Extrema Excelência, todo poder e glória, Dr. Deuseclídio Jesuítico dos Santos Nobres Lemos Bastos Barbosa Machado da Rocha Franco e Silva, desembargador do noblérrimo extraconjugáceo Tribunal do Supremo Supra Sumo Sancretino da Letônia.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
Jungle Street
(Música Instrumental de J.E.Canônico)
(Catherine Deneuve, em cena de "Belle de Jour")
Aquele verão prometia...
Nas horas que ainda não eram
o sol chegara forte e antes
num tempo errado aos relógios.
Ela chegara de soslaio,
à la belle de jour,
já semidespida
na tarde em meio,
ainda cedo, sem alarde
de brilhoso perfume
como lânguido alarme...
Joga-se jocosa,
jazida em meu leito
sem pudor, aguça o calor
sempre de seu jeito,
roçando-me o peito...
A mornidão dos ares
que chegaria ao anoitecer
nada impediriam
da lascívia nua escorrida,
da cirúrgica mordida,
das janelas escancaradas
em pernas escorregadias,
até que, inebriados
do quente mel explodido
o torpor da exaustão
e odores de terra e pão
nos abrandaria...
Antes mesmo da hora,
daquela que não seria,
do primeiro ávido do dia
tudo recomeçara
úmido,devasso, purpúreo
ato pleno, que extasia
naquele verão
que prometia...
(Catherine Deneuve, em cena de "Belle de Jour")
Aquele verão prometia...
Nas horas que ainda não eram
o sol chegara forte e antes
num tempo errado aos relógios.
Ela chegara de soslaio,
à la belle de jour,
já semidespida
na tarde em meio,
ainda cedo, sem alarde
de brilhoso perfume
como lânguido alarme...
Joga-se jocosa,
jazida em meu leito
sem pudor, aguça o calor
sempre de seu jeito,
roçando-me o peito...
A mornidão dos ares
que chegaria ao anoitecer
nada impediriam
da lascívia nua escorrida,
da cirúrgica mordida,
das janelas escancaradas
em pernas escorregadias,
até que, inebriados
do quente mel explodido
o torpor da exaustão
e odores de terra e pão
nos abrandaria...
Antes mesmo da hora,
daquela que não seria,
do primeiro ávido do dia
tudo recomeçara
úmido,devasso, purpúreo
ato pleno, que extasia
naquele verão
que prometia...
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
geodésia

Na solidão cúbica do meu quarto
dentro de convexa madrugada
deitado em lençóis planos
vejo triângulos fixos internos
de quatro paredes retangulares,
cheias de pontos, retas e nada mais...
Meus ouvidos assimétricos
repartem um Haidn em ré maior
preciso e exagerado, sem pecado
tocado por ágeis dedos tubulares
num Steinway de cauda trapezoidal,
com o ruído redondo de um frigobar,
cheio de frio, gelo e nada mais....
Olho nas sombras de um roto abajur
projetadas por flashs de luz elíptica,
rotas cortinas improvisadas em dó menor
que caem como gotas senoidais
dentro da cuba estelar côncava,
cheia de louça, água e nada mais...
Meus dias se esvaem retilineamente
parto agudo, geometricamente
entorpeço , vem o sono...
Desdobro-me.Já é tarde...
Já cedo, relaxo sem medo
o som e a luz se mitigam
as sombras e a calma vencem,
cheias de traços, fugas politonais e nada mais...
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domingo, 1 de novembro de 2009
Divas linhas, pérolas, dunas e rosas...
(para a amiga Poetisa, Cintia Thomé)

Delineio em fina pena arqueada
sobre papel de pele anacarada
curvilíneas pétalas de seda
sedam curvas e linhas ledas
esboço de pérolas em traços
quais pentagonais abraços
traçam rotas superfícies
beatas e ardentes sandices
vermelhas de veludo alado
e em brilho, esquivo orvalhado...
Esculpo sobre a tez da rosa
lamentos de versos e prosa
tatuagem de sal e miragem
refletidos em sua imagem
poucas Divas, outras em dunas
preenchidas com semibreves
de nanquim, tênues e leves
todas imaculadas lacunas
tal como sorrateiras brumas
Entorpecidos alentos
de sopros espargidos em ventos
flutuam por sombrios arrabaldes
soando brandos, sem alardes
impregnam toda gloria
acalentam perfilada historia
daquelas doces pétalas rubras
com as quais, desejo que te cubras...
Curvilíneas dunas de Divas peroladas...

Delineio em fina pena arqueada
sobre papel de pele anacarada
curvilíneas pétalas de seda
sedam curvas e linhas ledas
esboço de pérolas em traços
quais pentagonais abraços
traçam rotas superfícies
beatas e ardentes sandices
vermelhas de veludo alado
e em brilho, esquivo orvalhado...
Esculpo sobre a tez da rosa
lamentos de versos e prosa
tatuagem de sal e miragem
refletidos em sua imagem
poucas Divas, outras em dunas
preenchidas com semibreves
de nanquim, tênues e leves
todas imaculadas lacunas
tal como sorrateiras brumas
Entorpecidos alentos
de sopros espargidos em ventos
flutuam por sombrios arrabaldes
soando brandos, sem alardes
impregnam toda gloria
acalentam perfilada historia
daquelas doces pétalas rubras
com as quais, desejo que te cubras...
Curvilíneas dunas de Divas peroladas...
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