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Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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sábado, 21 de maio de 2011

O sono dos justos



Dorme criança, o teu sono brando
tens o sono que é dos justos
dorme que o futuro é incerto
sabes o coração aberto
desde que nasceste, até quando
lhe virão perversos sustos...

Dorme criança, o teu sonho alegre
que o sono é longo, mas a vida é breve
deixa, criança, o teu peito aberto
tem o coração sempre esperto
pois, por enquanto és quente
como, d'onde viestes, era o ventre...

Sonha criança, o teu sonho certo
de um porvir lúcido e contente
teu olhar pequeno, ainda é perto
pois és nada mais, tênue doce semente...

Dorme criança, o teu sono é casto
qual a pluma que te aquece e cobre
que o sonho é brilhante e nobre
d'um colorido perene e vasto
que se guarda seguro em alabastro...

Dorme criança, teu sono quietinho
inda o dia vem tímido e lento
recolhe-te por hora, em teu ninho
protege-te do implacável vento
dorme e não ouças o meu lamento...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ventania


as pedras cinzas
estão inertes e frias
sobre os dormentes
petrificados em óleo
escorrido de um tempo
marcado pelo caminho
árduo e redundante...

as rosas angelicais
já não perfumam mais
os anjos rosáceos...

olhares perdidos
cansados do tanto
e quanto ferido,
aglutinam-se
no esperar de um
amanhã que tarda
em chegar
e claudica a andança...

as rosas ornamentais
já não denotam mais
os anjos corados...

o perfume embaçou-se
no espelho esborrifado
a moldura dourada
descascou-se em linho
pérfido e gentil
e trouxe a mágoa
das almas espremidas...

as rosas orientais
já não propagam mais
os arcanjos umedecidos...

assim como se morre,
perpetuam-se os laços
entre corações que ardem
labaredas aquosas
sinuosamente lentas
e decadentes toscas
dos ventos parcos, secos...
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