Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

hoje é Domingo !


hoje é domingo, a tarde tem bingo
se tiver sol, vira até um futebol
em Sampa, tudo encanta
dia de “macaroni con braciola”,
e ninguém precisa ir pra escola !

na Paulista, até onde alcança a vista
dá pra andar “de a pé”
do Trianon, até a praça da Sé
e se fosse mais novo de novo
quem dera, doce quimera
iria fácil, fácil até o Ibirapuera...

hoje é domingo, pé de cachimbo
gente chique usando cartola
moça bonita com brinco “argola”
dia de criança descalça e “mendingo”
correndo da fome e pedindo esmola...

hoje é domingo
dia de “macaroni con braciola”
e ninguém precisa ir para escola !
Dia de missa e canto na igreja
barrigudo na praça, gente que abraça
enchendo a lata de cerveja...
latinha vazia no chão entupindo bueiro
e os “gari” na segundona, ralar o dia inteiro...

hoje é domingo, pede o cachimbo
dia de futebol, samba e atabaque
dos Jardins, gringo e sotaque
arquitetura de Tomie Ohtake
hoje é domingo, dia de bingo
e cachimbo cheio de craque
no centro da cidade...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Band-Aid-kura-kaos


Onde estou, só asfalto,
sem mato
abro a janela
e me mato
polui_som barulho
debulho, tudo bagulho
carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro
stressssssssssssssssssssssssss
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
num ha quem agüente tanta
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
todo mundo triste e ausente
gente que num desiste, insiste
só o corpo presente
indiferente
distante
colados do lado do outro lado
calado que nem gado
sempre atrasado
só traslado
de corpo abalroado...

Tô querendo mato, água de fonte, grilo falante
bosta de bicho, folha, árvore pra sol escaldante
barro no pé descalço, balança de corda
som de riacho, canto de galo que acorda
fumo de rolo, café, fubá dentro do bolo
sentado na soleira da porta, ler folhetim
colher inhame, alface, pimenta, tudo da horta
cheirar rosa, camélia, cravo, arlequim
água de cheiro, banho de rio maneiro
gosto do angu com taioba, tempero mineiro
e depois de almoço, café da tarde
traguinho de cachaça, garganta que arde
tirar uma sesta na rede de trança
daquelas que até ventarola balança
ouvindo uma moda daquela, antiga
de viola soando brilhante,de sete cordas
em volta de gente amiga
alegre , sonolenta e vadiante
onde pouco importa todo o tempo
que já vai indo...indo...embora com o vento...
E na noitinha mansa chegando
deitar no remanso de toda essa lida
com meu amor, cheiro de flor,se encostando
fazer devagar,sem nenhuma pressa
aquilo que é precioso, e bom à beça
o que tem de melhor nessa vida...

©joe_brazuca-MMIX-sp/sp/br
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