Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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terça-feira, 28 de junho de 2011

Sete Tempos


Manda-me mais sonhos
ainda tenho muito sono
é cedo para camisa e gravata
os anjos rondam minha cama
e me arrumam as cobertas

Ferva-me mais água
o café, deixa que meço
é cedo para o banho quente
o aroma inunda a casa
e pede janelas alertas

Esquenta-me mais os ladrilhos
ainda visto macia flanela
é cedo para a porta e fresta
os sonhos inda persistem
fogem das horas certas

Banha-me de doce perfume
ainda de que breve escuma
é cedo para o baile e festa
o lenho que queima e aquece
trepida em faíscas dispersas

Arruma-me por sobre o leito
a roupa que o sol secou
é cedo para o pente em riste
o torpor que cai e esvanece
deixa por sombras discretas

Alinha-me sobre o peito
o pão que ainda existe
É cedo para a faca e corte
O leite de ubre e porte
escorreu por valas abertas

Lustra-me o couro pisado
ainda é pouco o brilho
já se faz tarde, ao que viestes
o corpo cálido que a lua velou
deita eterno em pedras concretas...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Brincadeira de criança


O que é, o que é...
que tange, mas ultrapassa
que queima, mas não fere
mata, mas anima
que encobre, mas devassa...

O que é , o que é...
que corre, mas aproxima
que seca e umedece
expurga, mas recolhe
equilibra e entontece...

O que é, o que é...
que chama e despede
chora, mas agrada
solta, mas agarra
enxuga e mata a sede...

O que é, o que é
que bate e penetra
corta, mas costura
abala e segura
odeia, mas atura...

O que é , o que é
que arrasa e cria
alisa e arrepia
que torce, mas estica
vive indo, e fica...

O que é, o que é
que ergue, mas assola
chega logo e demora
beija e depois cospe
execra, mas adora...

O que é, o que é
que tortura e aconchega
que paga, depois cobra
que solta, depois pega
que falta, mas sobra...

O que é, o que é
que tritura e cola
arrasta, mas sossega
faz desdém, depois dá bola
que ama, mas mata e cega...

O que é, o que é...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Meta-mór-fretless (um Blues para Ella...)



Eu acreditei em Deus
my God !..oh! Deus
tanto,que fiz filhos todos meus

Acreditei em desodorantes,
que vidro tipo barato
se corta com diamantes...

Em monges Tibetanos
que eram meio assim,
super-humanos

ledos enganos
meu Deus !
quantos enganos...

Eu acreditei em advogados
togados safados, mentes astutas
bando de filhos de putas
(salvando a honra das últimas...)

Acreditei em seus beijos
sabor goiabada com queijo
no seu jeito “blasé”
e eu assim, meio démodé

que quando você me telefona
com aquela voz bem sacana
você tá querendo só ir pra cama

mentirosa !...
só me engana
quer minha grana
e eu fico na maior gana...

acreditei no noticiário,
na assepsia dos berçários,
que o deserto escaldante
atravessa-se em dromedários

ledo ordinário
meu Deus !
sou um grande otário...

acreditei piamente
no seu assédio deprimente
só pra abafar meus acordes
do meu Blues estridente

acreditei na sua lábia
dando uma de sábia
me levando pr’uma encruzilhada
com pinta de descarada
é nada !...

quer detonar meu Blues
com esses olhos azuis
me fazer acreditar na sua
e me detonar no meio da rua...

tolo, acreditei
meu Deus !
como acreditei...
fretless...escorreguei !

sábado, 5 de dezembro de 2009

Panetone de arruda ( sugestão prum sambinha sem-vergonha)



I
Panetone de arruda
Esse ano Brasília vai tê
Vô prantá pequena muda
Pra dá di todo mundo cumê

Tem cuíca no sambinha
Pro povinho todo sambá
Tem dinheiro nas cueca
Nota de 100 vai melecá

(refrão)
êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
panetone de arruda
a povo vai exprimentá

êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
o dinheiro nas cueca
é pro povo assustentá

II
a arruda tava podre
antes mesmo de prantá
resorvero bota o omi
adespois, n'outro lugá

num deu outra minha gente
nota de 100 foi pará no cocô
e arruda podre, e fede
os panetone azedô

(refrão)
êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
democratica arruda
o povo vai é se ferrá

êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
panetone nas cueca
toda grana vai melá

domingo, 1 de novembro de 2009

Divas linhas, pérolas, dunas e rosas...

(para a amiga Poetisa, Cintia Thomé)



Delineio em fina pena arqueada
sobre papel de pele anacarada
curvilíneas pétalas de seda
sedam curvas e linhas ledas
esboço de pérolas em traços
quais pentagonais abraços
traçam rotas superfícies
beatas e ardentes sandices
vermelhas de veludo alado
e em brilho, esquivo orvalhado...

Esculpo sobre a tez da rosa
lamentos de versos e prosa
tatuagem de sal e miragem
refletidos em sua imagem
poucas Divas, outras em dunas
preenchidas com semibreves
de nanquim, tênues e leves
todas imaculadas lacunas
tal como sorrateiras brumas

Entorpecidos alentos
de sopros espargidos em ventos
flutuam por sombrios arrabaldes
soando brandos, sem alardes
impregnam toda gloria
acalentam perfilada historia
daquelas doces pétalas rubras
com as quais, desejo que te cubras...

Curvilíneas dunas de Divas peroladas...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

auto-cárcere

quanto mais corro de mim
mais perto fico em mim
quanto mais fujo, fora de mim
mais dentro, cercado de mim

quanto mais ausente de mim
mais presente estou por mim
quanto menos em mim
mais através de mim

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

As sete bodas de Mariinha


Mariinha pulava ondas
Quantas ondas Mariinha pulava ?
Pula uma pelos pais
outra pelos filhos
mais outra pelo marido
pulava u’a mais pelo amado
outra onda pelo namorado
e outra mais, por Deus
e a última pelo diabo

Ela pulava sete ondas
sete pulos ela dava
Mariinha comia canjica
com pó de erva brava
e, com frango com quiabo
sete ondas, lambuzava...

Mariinha tecia véus
quantos véus Mariinha tecia ?
tecia um pelo patrão
outro pelos tios
mais outro pelos avós
tecia um mais pelos pavios
outro véu pelo ladrão
e outro mais, pelos navios
e o último pelo seu algoz

Ela tecia sete véus
sete véus ela tecia
Mariinha dormia mais linda
sem dó, sua unha cravava
e, sem teto e na berlinda
sete véus, ela tirava...

Mariinha tecia ondas
sete véus ela pulava
Mariinha casava véus
sete ondas ela casava...
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