Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou

sábado, 20 de agosto de 2016

A felicidade e o chuveiro


Numa certa idade
a felicidade
se faz em pedaços,
como pequenos laços
e nunca por inteiro.
Ela não vem
duma caneta tinteiro,
tampouco com muito dinheiro,
ou relógio de ouro ,suíço,
nada disso!
A felicidade vem
como nos convém,
num único vintém:
Admirar o meu amor,
esbanjando todo calor,
em meio à fumaça do vapor,
aproveitando o tempo inteiro,

tomando banho, leve e linda,
debaixo do meu chuveiro!

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Teclas



Mãos adjacentes, planas.
Vezes repousam, vezes outras
correm soltas.
Ágeis, férteis. Desprovidas de peso.
Mãos sem gravidade.
Aracnídeas mãos sobre o plano.
O plano de marfim e ébano.

Num acorde, acordam sentimentos
Profundos e sonoros,
ritmados provimentos.
Dedos curvados, alma retesada.
Dedos articulando sons
Melodias infinitas; outras desditas.
Mãos delineando tons,
Acariciando teclas.
Às vezes, acoitando-as,
mas jamais magoando-as...


Teclas brancas e negras.
Teclas negras e brancas.
Esculpidas, esmeradas, envernizadas.
Como os Homens.
Os Homens e suas músicas.Multicoloridas.
Que soam percutidas em suas cordas,
corações, mentes e almas.
Teclas para os Homens de boa vontade.

(sobre a foto de Leny Fontenelle )

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Meu bolero (de Ravel)




O 
teu
prazer
me chega
aos poucos, 

num crescendo
que me faz lembrar do
caminhar sonoro e baixo
duma orquestra sinfônica,
na batida silenciosa e contínua
até atingir a explosão magnífica
de uma plasticidades única e firme
como os últimos acordes orgásticos
dum bolero mui famoso, espetaculoso
onde ecoa até o meu infinito, de tudo que 

é seu, de mais íntimo, mais carnal e mais bonito...

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Provações de vida


Quando a saudade extrapola, prova-se à vida
Quando sucumbe-se à carência, prova-se à vida
Quando a salvação urge, prova-se à vida
Quando o coração descompassa, prova-se à vida
Quando a razão se desvia, prova-se à vida
Quando o deserto devasta a alma, prova-se à vida
Quando o abismo se abre, prova-se à vida
Quando a solidão grita em silêncio, prova-se à vida
Quando o amor mitiga, prova-se à vida
Quando a dor vira universo, prova-se à vida
Quando a dúvida espreita, prova-se à vida
Quando a calúnia assola, prova-se à vida
Quando as lágrimas recrudescem, prova-se à vida
Quando a estrada estreita, prova-se à vida
Quando a alegria escasseia, prova-se à vida
Quando a tristeza toma o terreno, prova-se à vida
Quando a ajuda erra o alvo, prova-se à vida
Quando o trabalho definha, prova-se à vida
e...quando a caridade definha, é finita, a vida!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Um lenço perfumado...















Mandaste-me um lenço perfumado 
Embebido ao teu perfume costumeiro
Nada paga isso, nem todo dinheiro
Pois nada deixa-me inda mais amado



Enviaste-me um pedaço do teu cheiro
Aquele que por nos é, tão estimado

Com teu intenso amor, inebriado
Imerso em mim, e no teu corpo inteiro



Ah! Quiséramos nós, o flerte sorrateiro
Mesmo distantes, mas muito apaixonados
Sermos presentes, em amor tão acatado 



Ah! Pudéssemos nós, estarmos amparados
Eterna e plenamente, a este imenso cativeiro
Viver todo dia, como fosse todo amor primeiro...

segunda-feira, 7 de março de 2016

Avalon



Teu olhar me faz navegar
num louco desdobramento

Do meu espaço-tempo 

As batidas do teu coração, 

depois do amor, ofegante,
me faz seguir muito adiante,
da minha quinta dimensão.

 
Teu toque me transporta
a reboque.
Me conduz,
em estado de choque
da velocidade constante, 

à aceleração estonteante,
na velocidade acima da luz.


Faz-me atirar dentro

dum buraco negro,
sem medo.
Na minha pele, bordas,

a tua teoria das cordas.

Avalon...
Qual tua ciência e tua magia,
que me levam,
da experiência dum deus,
à mais purificada energia?


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