Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cantiga simples




Quisera eu poder fazer todas juras
não entoando mais que sete notas
com palavras simples, doces e puras
e que não soasse como reles lorotas

Pudera eu ser tão verdadeiro e nobre
não pulando mais que sete ondas
mesmo que usasse só de rimas pobres
e falasse do teu olhar, quando me sondas

Tivesse eu esse dom da simples poesia
e em versos cantaria todo meu ardor
somente com parcas letras te escreveria

Com o néctar doce e singelo duma flor
simplesmente poucas linhas te desenharia
com sete sílabas, “eu-te-a-mo-meu-a-mor”

quarta-feira, 30 de junho de 2010

sobre Bill, Village , 46th Street com 5ª no baixo e pernas...(sandices em 3 movimentos)


I

quando ouço Bill Evans,lembro New York
até do teu pescoço branquinho.
Voce sabe...ou não lembra ?
porque a cada acorde resoluto estremeço
adrenalinicamente óbvio, dor de barriga
pelo e pele e curva e alcova e soul
teu cheiro na minha barba, minha cova
subway do teu sorriso no meu estômago
fico nanico, pago esse mico
...aí ?...vai ou não ?... que coisa !
será que teu sorriso não sai
mais de um sol com a 4ª no baixo ?
é droga...só pode ser !...ácido lisérgico
esse trio não é moleza,
só destreza e quero mais
à dois, com talheres ao fundo
eu vou pro fundo do teu olhar
passado na Broadway com 5ª
nosso cenário é a Greenwich Village
putz !...começou o solo do baixo...
fico muito puto com tanta
baixaria...ou seria a tua BRUXARIA ?
[please, driver... get on left, to 46 Street
I left my heat on her heart, sorry…
nothing more to do…]

quando ouço o Bill de novo
te lembro e morro sozinho
no Central Park, China Town
Voce não vem ?...Também não vou...
estamos resolvidos em Si sustenido...
ah !...que besteira !...isso é um Dó !

II

Levanto e misturo café com pasta de dente
newspaper com sanduíche de queijo-quente
Me sinto vulnerável igual September11
ainda levanto pra escrever bobagens
de novo ouço Bill Evans, e traço linhas
sem conduta nenhuma mesmo
pura porralouquice, meninice mesmo...
miseravelmente louco, babo um pouco
me desespero e espero seu triângulo
pelúcia amaciada com Confort...
a gente bem que podia se encontrar
pra namorar um cup of coffee whit Bourbon
naquele bar em frente ao Metropolitan...
peraí !...D dim/9...G7+/A...C7+/G
ficou legal ?...sei não...meio blasé...
Não consigo esquecer daquelas pernas
se Bernstein tivesse vivo,
faria uma sinfonia pra elas...
ta bom...ta bom...faço eu, então
no mínimo uma Sonata elas valem
“Sonata Nº 5 , per tue gambe...”

III

Preciso ir até Down Town...
O que me faz voltar pra cama
é poder escrever, tocar, beber, amar
et coetera e tausssssss...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Qual é nossa missão ?


Eu não sei minha missão
preciso saber
para eu entender
o meu coração

Eu não sei bem quem eu sou
preciso saber
para eu resolver
se fico ou se vou

Nas intempéries da vida
até uma mão estendida
viver toda dignidade
sempre com boa vontade

Toda existência é uma lida
uma experiência vivida
na busca de toda verdade
com fé, esperança e bondade

Eu percebo a imensidão
preciso viver
o amanhecer
da grande união

Eu não sei onde estou
preciso conter
este tanto sofrer
enxergar quem doou

Nas vicissitudes vividas
onde o caráter enobrece
e a moral nunca esquece
todas lições aprendidas

Na dádiva da tolerância
que ultrapassa distâncias
vimos por toda serenidade
plantando toda igualdade

Eu não sei qual o porvir
preciso rever
todo meu parecer
voltar a sorrir

Eu não sei para o que vim
preciso aprender
plantar e colher
um horizonte sem fim

sexta-feira, 16 de abril de 2010

E-Tango (ou “la cancion de una electro-separacion”)


Apaguei os teus contatos
deletei os teus e-mails
teus perfumes baratos
e os sabor dos teus seios

Escaniei minha memória
procurei toda fotografia
pra esquecer a nossa estória
ledo engano, pura utopia

[refrão]
ah !...quem me dera poder esquecer
toda nossa lesa e triste quimera
todo nosso amanhecer...
ah!...se um dia nos fizemos sofrer
apagar essa memória, quem dera
reformatar todo o HD...

Percorri todas as pastas
dos arquivos do passado
emoções bestas e gastas
que já devia ter detonado

joguei no lixo os nossos DVDs
dos filmes em baixa resolução
msn,facebook, tweeter, icq,
tudo que fizesse te esquecer
tudo a mais pura ilusão...

[refrão]
ah !...quem me dera poder esquecer
toda nossa lesa e triste quimera
todo nosso amanhecer...
ah!...se um dia nos fizemos sofrer
apagar essa memória, quem dera
refomatar todo o HD...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Meta-mór-fretless (um Blues para Ella...)



Eu acreditei em Deus
my God !..oh! Deus
tanto,que fiz filhos todos meus

Acreditei em desodorantes,
que vidro tipo barato
se corta com diamantes...

Em monges Tibetanos
que eram meio assim,
super-humanos

ledos enganos
meu Deus !
quantos enganos...

Eu acreditei em advogados
togados safados, mentes astutas
bando de filhos de putas
(salvando a honra das últimas...)

Acreditei em seus beijos
sabor goiabada com queijo
no seu jeito “blasé”
e eu assim, meio démodé

que quando você me telefona
com aquela voz bem sacana
você tá querendo só ir pra cama

mentirosa !...
só me engana
quer minha grana
e eu fico na maior gana...

acreditei no noticiário,
na assepsia dos berçários,
que o deserto escaldante
atravessa-se em dromedários

ledo ordinário
meu Deus !
sou um grande otário...

acreditei piamente
no seu assédio deprimente
só pra abafar meus acordes
do meu Blues estridente

acreditei na sua lábia
dando uma de sábia
me levando pr’uma encruzilhada
com pinta de descarada
é nada !...

quer detonar meu Blues
com esses olhos azuis
me fazer acreditar na sua
e me detonar no meio da rua...

tolo, acreditei
meu Deus !
como acreditei...
fretless...escorreguei !

sábado, 5 de dezembro de 2009

Panetone de arruda ( sugestão prum sambinha sem-vergonha)



I
Panetone de arruda
Esse ano Brasília vai tê
Vô prantá pequena muda
Pra dá di todo mundo cumê

Tem cuíca no sambinha
Pro povinho todo sambá
Tem dinheiro nas cueca
Nota de 100 vai melecá

(refrão)
êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
panetone de arruda
a povo vai exprimentá

êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
o dinheiro nas cueca
é pro povo assustentá

II
a arruda tava podre
antes mesmo de prantá
resorvero bota o omi
adespois, n'outro lugá

num deu outra minha gente
nota de 100 foi pará no cocô
e arruda podre, e fede
os panetone azedô

(refrão)
êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
democratica arruda
o povo vai é se ferrá

êêê bunda lelê-ê
aaa bunda lulá-á
panetone nas cueca
toda grana vai melá

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

La puerta se cerro detrás de ti...


Nada adiantara a descompostura de “cubalibre” que havia tomado...
O perfume de Cabochard misturado ao de tabaco
ainda impregnava seu paletó listrado,
de casimira inglesa com corte italiano, como nunca antes...
E o toque crespo da meia de seda, interrompidos pela costura
por trás das coxas, e a descoberta da pele entre a cinta-liga
ainda lhe faziam transpirar avidamente...
Aquela noite seria uma tortura, inacabada...
Ainda mais sabendo que ela com sua volúpia exuberante
jazia nos braços de outro, a dançar as danças de pernas lascivas...
...a lembrança da imagem de seus olhos borrados
pelos fluídos da luxuria de um beijo lambido e indecente,
fazia-o morrer lentamente...

"La puerta se cerro detrás de ti..."

(trilha : "la puerta", de Luís Demétrio. Canta Roberto Yanéz.)

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