
Na solidão cúbica do meu quarto
dentro de convexa madrugada
deitado em lençóis planos
vejo triângulos fixos internos
de quatro paredes retangulares,
cheias de pontos, retas e nada mais...
Meus ouvidos assimétricos
repartem um Haidn em ré maior
preciso e exagerado, sem pecado
tocado por ágeis dedos tubulares
num Steinway de cauda trapezoidal,
com o ruído redondo de um frigobar,
cheio de frio, gelo e nada mais....
Olho nas sombras de um roto abajur
projetadas por flashs de luz elíptica,
rotas cortinas improvisadas em dó menor
que caem como gotas senoidais
dentro da cuba estelar côncava,
cheia de louça, água e nada mais...
Meus dias se esvaem retilineamente
parto agudo, geometricamente
entorpeço , vem o sono...
Desdobro-me.Já é tarde...
Já cedo, relaxo sem medo
o som e a luz se mitigam
as sombras e a calma vencem,
cheias de traços, fugas politonais e nada mais...



