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Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou

sábado, 10 de setembro de 2011

Antípoda


(A QUEDA DE ÍCARO - Peter Paul Rubens, 1636-80.Óleo sobre tela. Museu de Arte Antiga, Bruxelas.)

Posso ser vil o quanto as flores me instiguem
Posso ser excelência o tanto me agucem os crimes
Deverei ser cruel o quanto me ensine
o azul do céu
Deverei ser caridoso o tanto que me mostre
todo mar lodoso
De minha doce boca sairá enxames
De minha compreensão se instaurarão ditames
De perversas palavras brotarão nações
de tão sórdidas, se louvarão canções
A cada passo ido, voltarei no tempo
e a cada atraso consentido atingirei meu intento
De cada bocada no alimento nobre
vomitarei aos borbotões, até que nada sobre
Minhas mais sinceras lágrimas
corroerão suas faces, como estigmas
Do meu odioso espasmo e grito
resplenderá à elevação, ao solene mito
do que haverá de mais bonito !

Já não colho mais flores, às suas mortes prematuras
Já não lustro os sapatos, à tirar-lhes o pó do tempo perdido
Já não enxugo as lágrimas, que lhe dissolveram os olhos e o rímel
nem tampouco me lavo e me seco, nem me benzo e exorcizo ...
Minhas asas se derreteram sob o deserto escaldante
e nem ao menos, tal como Ícaro,
alcei voo ao seu destino previsível e fatídico
Dédalo de mim mesmo, sigo seguindo meus sóis...

3 comentários:

MIRZE disse...

JOE!

Um dos seus mais belos poemas!

Forte, instigante e deixa marcas em claves de sol! Aprendi muito com as negativas, principalmente na última estrofe!

Este é digno dos deuses.

Beijos

Mirze

Marcelo Novaes disse...

Oi, Joe!


Se houver interesse em guardar a entrevista que vc me deu, eis o blog:


http://marceloconversacom.blogspot.com/





O bloco de Notas foi deletado, e este será também. Em breve.




Um abraço!

catalase disse...

You made a point here. That's the exact answer im waiting.

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