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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou

sábado, 23 de maio de 2009

Menestréis de asfalto


Na minha cidade vejo gente
gente de variados mundos
andarilhos, incógnitas, indigentes
sem eira nem beira
que se esgueira,
sem fundos

Na minha cidade pungente
vejo tristeza e testa enrugada
dando duro em apressado batente
maltrapilha, com a pele embrulhada
rancor de quem é desprezada
e a cada dia que passa,
em agonia
vê a vida em vão, esbugalhada

Na minha cidade imponente
vejo meu povo meio-matuto
cabisbaixo, vestido de luto
sob comando do astuto
que dita a dura impertinente
com fina lâmina de corte arguto

Na minha cidade vejo gente
que nada leva em mente
mesmo que se lamente
de um futuro indecente
onde se vê aniquilado
perdido, ferido e vilipendiado

Na minha cidade inclemente
vejo a tentativa insistente
de um povo dócil,
sempre carente
que petrifica igual um fóssil
oh! pobre dessa gente tão crente...

Na minha cidade vejo gente de todo matiz
são atores, mambembes cordéis,
pensadores, prostitutas, bacharéis
trovadores, alquimistas, menestréis
que vivem estendendo seus carretéis
a se equilibrarem, no meio-fio,por um triz...

10 comentários:

Conceição Duarte disse...

Joe, que lindo isso que escreveu! Gostei de alguns termos que usou, muitos deles, aliás, você escreve muitíssimo bem. No entanto, me refiro a "sem eira nem beira"... MInha avó usava muito isso. Gostei demais e na "nossa cidade" tem de tudo - mentes vazias, prostitutas,incógnitos, matuto, e muito mais... mas, é a nossa gente.

Um beijo, bom sábado, CON

tania não desista disse...

retrato poético... da pesada realidade.
...malabaristas!!...carretéis...
meio-fio....por um triz!
bjo
tanianaodesista

Adriana disse...

imagens reais dentro de um poema forte.Menestrel? Parece ter um aqui.

Adriana Godoy disse...

Na sua cidade e na minha...que beleza. O título, um primor. Belo, mui belo, Brazuca. Um dia quem sabe você não me visita? Beijo.

Cris Animal disse...

Essa cidade maluca, doida, c heia de contrastes e aberrações. Essa cidade que nos prende e nos mata de saudade quando ficamos muito tempo longe dela. Há um segredo nessa cidade escondido em algum lugar que nos encurrala e nos faz reféns dessa loucura que já aprendemos a amar e defender como pedaço de nós mesmos.
Sem patriotismo, sem cidadania....apenas coisa de gente que se mistura em tudo isso que vc escreveu e descreveu.

beijo, Joe
.............Cris Animal

Clayton Ângelo disse...

Oi Joe, são muitos mundos em uma só cidade, ou uma cidade com vários mundos. Pois é, vivemos um caos social, ético-humano enfim, seria tão bom se pudéssemos inverter essa ordem. Grande abraço.

J. Araújo disse...

Muito bonito meu amigo Joe. Também na cidade que eu moro, vejo gente chorando, sorrindo, amando e odiando. Também vejo gente muito rica e também; vejo os miseráveis. Na minha cidade também tem gente que não sabe dizer o que é verdadeiro sentido da amizade.

Prabéns amigo

Fique com DEUS, e um excelente domingo; abraço

...EU VOU GRITAR PRA TODO MUNDO OUVIR... disse...

Joe!

O que vê é a maioria da humanidade!!!

Lindo seu poema,real,verdadeiro!

Parabéns!!!

Beijo!Sonia Regina.

Joe_Brazuca disse...

Minhas caras amigas, meus caros amigos...Sempre uma grande satisfação recebe-los por aqui, em nossas tentativas de escrever algo legal !

Cada opinião aqui formada é uma participação especial que sempre corrobora e completa !

Gratíssimo sempre !

abraço a todos

Joe

Ianê Mello disse...

Gostei imenso de seu poema. Muito profundo na condição humana.

"Na minha cidade vejo gente de todo matiz
são atores, mambembes cordéis,
pensadores, prostitutas, bacharéis
trovadores, alquimistas, menestréis
que vivem estendendo seus carretéis
a se equilibrarem, no meio-fio,por um triz..."


Lindo!!!

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