
Na minha cidade vejo gente
gente de variados mundos
andarilhos, incógnitas, indigentes
sem eira nem beira
que se esgueira,
sem fundos
Na minha cidade pungente
vejo tristeza e testa enrugada
dando duro em apressado batente
maltrapilha, com a pele embrulhada
rancor de quem é desprezada
e a cada dia que passa,
em agonia
vê a vida em vão, esbugalhada
Na minha cidade imponente
vejo meu povo meio-matuto
cabisbaixo, vestido de luto
sob comando do astuto
que dita a dura impertinente
com fina lâmina de corte arguto
Na minha cidade vejo gente
que nada leva em mente
mesmo que se lamente
de um futuro indecente
onde se vê aniquilado
perdido, ferido e vilipendiado
Na minha cidade inclemente
vejo a tentativa insistente
de um povo dócil,
sempre carente
que petrifica igual um fóssil
oh! pobre dessa gente tão crente...
Na minha cidade vejo gente de todo matiz
são atores, mambembes cordéis,
pensadores, prostitutas, bacharéis
trovadores, alquimistas, menestréis
que vivem estendendo seus carretéis
a se equilibrarem, no meio-fio,por um triz...
10 comentários:
Joe, que lindo isso que escreveu! Gostei de alguns termos que usou, muitos deles, aliás, você escreve muitíssimo bem. No entanto, me refiro a "sem eira nem beira"... MInha avó usava muito isso. Gostei demais e na "nossa cidade" tem de tudo - mentes vazias, prostitutas,incógnitos, matuto, e muito mais... mas, é a nossa gente.
Um beijo, bom sábado, CON
retrato poético... da pesada realidade.
...malabaristas!!...carretéis...
meio-fio....por um triz!
bjo
tanianaodesista
imagens reais dentro de um poema forte.Menestrel? Parece ter um aqui.
Na sua cidade e na minha...que beleza. O título, um primor. Belo, mui belo, Brazuca. Um dia quem sabe você não me visita? Beijo.
Essa cidade maluca, doida, c heia de contrastes e aberrações. Essa cidade que nos prende e nos mata de saudade quando ficamos muito tempo longe dela. Há um segredo nessa cidade escondido em algum lugar que nos encurrala e nos faz reféns dessa loucura que já aprendemos a amar e defender como pedaço de nós mesmos.
Sem patriotismo, sem cidadania....apenas coisa de gente que se mistura em tudo isso que vc escreveu e descreveu.
beijo, Joe
.............Cris Animal
Oi Joe, são muitos mundos em uma só cidade, ou uma cidade com vários mundos. Pois é, vivemos um caos social, ético-humano enfim, seria tão bom se pudéssemos inverter essa ordem. Grande abraço.
Muito bonito meu amigo Joe. Também na cidade que eu moro, vejo gente chorando, sorrindo, amando e odiando. Também vejo gente muito rica e também; vejo os miseráveis. Na minha cidade também tem gente que não sabe dizer o que é verdadeiro sentido da amizade.
Prabéns amigo
Fique com DEUS, e um excelente domingo; abraço
Joe!
O que vê é a maioria da humanidade!!!
Lindo seu poema,real,verdadeiro!
Parabéns!!!
Beijo!Sonia Regina.
Minhas caras amigas, meus caros amigos...Sempre uma grande satisfação recebe-los por aqui, em nossas tentativas de escrever algo legal !
Cada opinião aqui formada é uma participação especial que sempre corrobora e completa !
Gratíssimo sempre !
abraço a todos
Joe
Gostei imenso de seu poema. Muito profundo na condição humana.
"Na minha cidade vejo gente de todo matiz
são atores, mambembes cordéis,
pensadores, prostitutas, bacharéis
trovadores, alquimistas, menestréis
que vivem estendendo seus carretéis
a se equilibrarem, no meio-fio,por um triz..."
Lindo!!!
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