Sou o que sou

Minha foto
Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou

sábado, 27 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Quem ajudaria José, que quebrou o pé ?


O que faria José se quebrasse um pé ?
Quem o ajudaria se estivesse numa padaria ou na praça da Sé ?
Chamaria Maria ou a sua tia ?
Talvez o Alfredo, seria só um arremedo.

Mas...e o Toledo ?...Nem pensar ! sujeito sem ledo...Ai que medo...
A Mariana viria com certeza, pois é moça bacana, de grande presteza.
Não é como a Tereza, sempre na moleza...
Prefiro o Toninho, que ajuda sempre nem que for um bocadinho...
Ou o seu primo, que muito estimo, o Joaquim, que sempre estendeu suas mãos para mim...

Roberto tambem é legal, sujeito fenomenal, sempre de coração aberto !
Se vier a Salete, vê quem se mete ! Essa só faz pintar o sete !
E a Sofia, antiga namorada , que foi-lhe apaixonada e agora não quer nada, quem a desafia ?

Chamar a Beatriz, nem por um triz. Essa sempre fez só o que quis !
E o João , metido, o bestalhão,está preocupado só com seu milhão...
Mas a Fernanda, prima da Amanda...ah !...essa sim mostra quem manda. Com ela, todo mundo roda na sua ciranda...

Quem sabe o Adauto possa dar ajuda, dai a coisa muda, pois ele sempre foi um arauto !
Não contemos com o Fernando, pois ele está na maioria do tempo, solto ao vento, sempre viajando...
A Jussara , aquela que Leonardo já amara (um pesado fardo...) nem tente... pois a Jurema, lá de Saquarema, cobriu-lhe de vara !
Seria então o Pedro, duro igual cedro, que avisaria o Augusto, aquele que na praça da matriz, perto da casa do argentino Ortiz, tem uma estátua, um busto ?
Acho melhor nem chamar a Eduardo que já vem armado de um petardo, irmão da Andruxa, bonita gaúcha que comprou uma garrucha pra se defender da prima Vera, uma fera, aquela bruxa...
o Aldo, só dá o respaldo, não deixa entornar o caldo e só faz aumentar o saldo...
Talvez o Saulo, que mora em São Paulo, faça junto com a Adriana, prima da Veridiana, dona daquele Pastel com Cana, onde vamos todo fim de semana...
Ajudaria também chamar o Jair pra ir, com a Nadir, antes dela partir e ter que se despedir...
Se chamar a turma do Amadeu, que com ele é assim :
escreveu não leu, pau comeu, e sempre prometeu pro Marco, mas pra ajuda-lo mesmo, sempre muito parco...
Quem sabe viria o Ricardo, coitado tão viciado em atirar dardo, que com a Regina foi casado, menina de pouca sorte, que perdeu a própria sina naquela maldita esquina, encontrou a morte...
E a Assunta ?...será que vem ? Pergunta pra ela, vai Isabela !...pergunta !
A Cynthia avisou que só pode na quinta !
Acho que podemos contar com a Sonia e sua irmã Antônia, que vieram da distante Letônia, pra se despedirem da Theodora, antes de irem embora...
Agora...se voce quiser ajudar José, que quebrou o pé, numa padaria da praça da Sé, sabe como é...
Tem que passar no bar do Henrique sem perder o pique, nem precisa ir muito chique... Lá, dá um gole da boa cachaça, que vem do alambique, mas não vá ficar manguaça !
Depois entra na loja da Julieta, passa pela roleta, pega um par de muletas, e faz um favor : não seja “retrô”, vem de metrô...Afinal estamos numa cidade grande, e não no largo do Pelô !
ah !...não esquece de pegar um número, viu ? é só dar um forte assovio... Porque quem dá a senha , e manda de fio a pavio, é a Maria da Penha !

sexta-feira, 12 de março de 2010

Brincadeira de criança


O que é, o que é...
que tange, mas ultrapassa
que queima, mas não fere
mata, mas anima
que encobre, mas devassa...

O que é , o que é...
que corre, mas aproxima
que seca e umedece
expurga, mas recolhe
equilibra e entontece...

O que é, o que é...
que chama e despede
chora, mas agrada
solta, mas agarra
enxuga e mata a sede...

O que é, o que é
que bate e penetra
corta, mas costura
abala e segura
odeia, mas atura...

O que é , o que é
que arrasa e cria
alisa e arrepia
que torce, mas estica
vive indo, e fica...

O que é, o que é
que ergue, mas assola
chega logo e demora
beija e depois cospe
execra, mas adora...

O que é, o que é
que tortura e aconchega
que paga, depois cobra
que solta, depois pega
que falta, mas sobra...

O que é, o que é
que tritura e cola
arrasta, mas sossega
faz desdém, depois dá bola
que ama, mas mata e cega...

O que é, o que é...

quarta-feira, 10 de março de 2010

"0"


0

ZERO
0000 0000 0000 0000

nada
niente nothing
pas de rien
nichts nada
nulla nadie


ZERO NADA
ZERO BALA
ZERO FOME
ZERO GRANA
TUDO ZERO

ZERO NINGUEM
NEM UM, NEM MENOS UM

NEM ZERO

N menos N


000000000000000000
ZERO ZERO

0

quarta-feira, 3 de março de 2010

A deusa da condução



cenário : Avenida Paulista, Sampa, dia “cool”, “tipo” fim de verão, por volta de duas da tarde.
veículo : transporte público, ônibus, sentido bairro, mais precisamente, Masp para Vila Mariana.

Jeremias entra, para na catraca, pega a carteira, paga e passa.
Ao passar, ainda preso no meio da “borboleta de aço”, nota a poucos bancos em frente, um olhar que por um átimo, cruza o seu.
Ela abaixa a cabeça, desvia, fica de perfil, olhando a janela.
Ele mal observara seu rosto por inteiro (ainda...)
Ela, 30, 35 anos.Ele , mais maduro.

Jeremias senta no banco, logo atrás, mas no lateral.
Sem intenção, tem os cabelos dela à sua mira.

Jeremias ( também como ela...) observava atentamente as personagens que fervilham pela grande avenida.
São trôpegos embriagados, moços em ternos e gravatas, mendigos ajoelhados a pedir qualquer coisa que possam lhe dar, doidivanas , hippies atrasados, "ladies" chiques, coquetes, personagens que parecem mais sair d’um circo burlesco e bizarro.Coisas de grandes metrópoles. Normal.

De repente, por um ímpeto, completamente absorto com as personagens das ruas, Jeremias se achega próximo à ela, por trás de seu ouvido, e diz em voz media, com um sorriso discreto no rosto : “...a gente encontra cada personagem em São Paulo, não é mesmo ?”

Ela, sem surpresa, vira-se a meio rosto, e com um certo rubor nas faces (timidez, quem sabe...) abre um doce sorriso e responde : “Sim...é mesmo...é verdade...Voce viu aquela senhora cigana ?
“Vi sim..”, responde Jeremias, também com um sorriso no rosto e continua :“agora...eu queria ter uma câmera fotográfica nas mãos, com uma grande objetiva, pra captar essas personagens...”(risos de ambos)

Ela afirmou com a cabeça, sorrindo ainda...Jeremias sentiu que ela iria continuar a conversa, bem como ele tb continuaria.
Mas o celular da moça toca...Ele respeita e interrompe a conversa

Ela diz a alguém, em voz baixa ( dava-se pra perceber de longe que era uma pessoa extremamente fina, educada e que tais...). Jeremias ouve um pouco , e discretamente nota que ela explica que está na Paulista, coisa e tal...
De repente, após a ligação, ela fica meio sem jeito...Guarda o celular e dependura a bolsa no ombro e balbucia meio sem graça, leve sorriso (ou seria decepcionada ?...), olhando para Jeremias : “ ...caminho inverso...tenho que voltar...”
Ela se levanta já apressada ao próximo ponto, dá o sinal, vira-se para Jeremias e diz, olhando dentro dos olhos dele, também : “...faz sim...quem sabe um dia não vejo suas fotos publicadas...”

(Daí foi que Jeremias observou atentamente o rosto maravilhoso da moça...Olhos amendoados, cor de mel claro transparentes, um sorriso de derreter aço carbono...Corpo esguio. Voz suave, grave, aveludada, dicção perfeita !...Lindíssima...simpaticíssima...uma verdadeira deusa encarnada dentro de uma condução paulistana...Seu coração acelerou como há muito não acontecia...Seria "amor" à primeira vista ?..mas, Jeremias não acredita nisso !...pobre Jeremias...)

O ônibus freia...O ponto está aí...Ela se equilibra e caminha em direção à porta...Algum tumulto normal em pontos de ônibus...

Ambos tem expressão de “nunca mais nos veremos”.

Jeremias acena do banco, olhando dentro dos olhos de sua deusa sem nome e diz : “...boa sorte !”....ela retribui com o mesmo : “...boa sorte...”

Jeremias ainda tenta olhar para trás, pela sua janela, mas ela já havia sumido na multidão... (aventou consigo mesmo : "...saio e vou atrás...me apresento ?...deixo cartão ?...")

Será que Jeremias perdera para sempre a oportunidade de recomeçar a sentir essa adrenalina dos deuses ?...Será que realmente nunca mais a veria ?...Será que em meio a 12 milhões de almas, um dia reveria “sua deusa” de poucos minutos ?

Jeremias não dormiria mais sem pensar nessas possibilidades.
Nem naquela noite e nem em muitas noites adiante...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Homenagem aos 100 anos de Adoniran Barbosa ( por Marcos Pontes)

Uma homenagem de Marcos Pontes, a Adoniran Barbosa ,100 anos do nascimento.
Vídeo e Letra de Marcos Pontes; Música, violão e voz de Jota Lago; Piano, de Joe Brazuca.
VIVA João "ADONIRAN BARBOSA" Rubinato !...
(assista na integra aqui :http://www.youtube.com/watch?v=I4oyVmdUPBI)

video

Related Posts with Thumbnails