Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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quinta-feira, 1 de março de 2012

Simone de "Bom Voar" [desde que Sartre permita]


Mesmo que minha espinha existencial não permitisse
ainda assim, sorriria com a beleza do teu sorriso aberto
como um acorde de 7ª, tão maior quanto se possa...
[Que não a constelação, da Ursa maior, como a 7ª]

Mesmo que minha veia existencial não quisesse
ainda assim, dançaria com a leveza que já me falta
como um lorde espanhol, depois da tourada...
[todo flamenco, sapateado e castanholas]

Mesmo que não olhasse mais para o paraíso e nada mais visse
ainda assim ouviria oboés e flautas
saindo de teu olhar descoberto
como algo que se busca num universo paralelo, algo de belo...
[fractais melódicos, saberíamos todos, antecipadamente]

Mesmo que nada mais faça, porque meu corpo já limita
ainda sim, imitaria os teus gestos com simbiose camaleônica
como quem, ave sem rumo,
o pássaro menor baila e o voo imita...
[águia de fátuo, suba e não caia, pássaro Ícaro de Paris]

Mesmo que minha existência duvidosa e sóbria , já findasse
ainda sim, soariam cordas timbradas em teus suspiros íntimos
como que sustentassem todo ego, dentro de uma escala sinfônica...
[o trem da vida, já descarrilha e estica como um raio de luz e parte]

Mesmo que tua existência desfocada
pela tristeza que avisa, levasse
ainda assim, sentiria todo ritmo embutido em tua imagem
como se um spot teatral, multicolorido, girasse em teu redor...
[Smoking e vestido longo, num baile regado a trompetes]

Mesmo que minha desistência sartreana, insistisse em existir
ainda assim, roubaria tua tez alva para clarear minha escuridão
como que se a lua, nos seu mais banal, alumiasse a tua efusiva imensidão...
[Jazem lentos os trombones, anunciando o amanhecer desta noite perdida]

terça-feira, 21 de abril de 2009

Inomine : Inverno, Quadros e Migalhas

(montagem sobre fotos originais de Vivian Vergal Panico)


Nem me lembro bem em qual dia em especial, o que prometi fazer, ou com quem me encontrar, não sei quando, nem sei qual lugar...
Não me lembro, nem como, ou quem mesmo iria procurar, se fizesse tal coisa, que já não me recordo, nem do dia nem da hora, esqueci-me por agora...
Em que ano foi mesmo, que combinei com não sei quem, para irmos, não me lembro onde, qual o lugar pra fazer alguma coisa ?
Quando mesmo falei pr’alguém, sei lá o que, o que faríamos ou pr’onde iríamos ?
Tenho pra mim vagamente, que em algum dia, não sei qual, disse algo que já não recordo, se estaria ou não de acordo, com outrem, nem sei mais quem...
Qual foi mesmo a estação do ano em que nos prometemos ir à algum lugar, fazer não sabemos mais o que, acompanhados de quem, mesmo ?
Com quem e pra onde iríamos ?...Quando iríamos, mesmo ?...Por que iríamos ?...Fazer o quê ?
O frio já se esboça em minha boca, que penumbra na densa cena de minha janela.
É tudo muito confuso, indeterminado e estanque.Se antes vinha, agora não mais.
Já não consinto minhas artérias.Já nem me espanto tanto mais, por enquanto...
Já não enxergo mais as migalhas sobre a mesa.
Continuo espanando-as, porque sei que ainda estão por lá.
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