Sou o que sou

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Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou

sábado, 22 de agosto de 2009

Por vezes...



Por vezes, a vida maltrata, leva-nos à chibata
Nos obriga a tropeços, deixa cair nossos adereços
Nos sacode, mostra quem é que manda,
quem é que pode...

Por vezes é preciso um ato de afastamento
Mesmo que sobre à nós, todo lamento
Afastar até onde a vista alcance, pra olhar de longe
Até meio de relance, tal qual um sábio monge
Enxergar a vida com mais desprendimento...

Por vezes é necessário secar a fala, assim como quem cala
Ouvir o vento, a brisa, o sibilar de quem consente...
Aos conselhos sussurrados dentro de nossa própria mente
Ou fechar-nos sem lamentos, no espaldar que nos resvala...

Por vezes é adequado um certo distanciamento
Para suprir nossos cantis, de cristalino provimento
Abrandar nossas dunas desérticas
reerguer nossas energias e fomentos
reativar nossas sinas magnéticas
com mais silêncio do que tanta dialética...

Por vezes devemos afastar nossos olhares
Procurar sobreviver sozinhos, alhures
Encarar de frente novos e prováveis patamares
Donde alcançaremos bons e bem-vindos apures

Por vezes, apesar de qualquer lágrima rolada
Precisamos da distância, mesmo que à toda ânsia
Mesmo que o corpo, jaza em tez despedaçada
Mesmo que aos ouvidos, quimera ausência
soe-nos abafada e ensurdecida
Nos ensine e nos transporte de volta
toda união , ora plenamente enaltecida...

9 comentários:

BAR DO BARDO disse...

... para certos casos, a distância é uma benção...

IVANCEZAR disse...

Só tenho que aplaudir e - se permite - na minha leitura , eu substituo o por vezes , por muitíssimas vezes ...

...EU VOU GRITAR PRA TODO MUNDO OUVIR... disse...

A distância é o melhor juiz para resolver situações que nos deixam assim sem saber ao certo o que fazer!!!

Não vou dizer da qualidade de seu poema pois seria redundância:um banho de beleza!

Um beijo!Sonia Regina.

Adriana Godoy disse...

Por vezes é bom vir aqui e encontrar esse belíssimo poema. Sensacional. beijo.

Norma Villares disse...

Amigo, eu vou repassar todos os arquivos do blog “O Segredo da Flor de Ouro”, para o Blog "Sem Fronteiras para o Sagrado". Como quase todas pessoas me acompanham nos outros blogs, assim por economia de tempo, fica mais fácil para todos. Quando repassar todas postagens, vou excluir o blog.
Se você não add segue o endereço:
http://semfronteirasparaosagrado.blogspot.com/

Hercília Fernandes disse...

Ouvir a voz do vento, decifrar códigos e silêncios, pontos obscuros dispersos em etapas da existência...

Seu texto, Joe, fez-me lembrar da ausência de um querido amigo, que talvez esteja vivenciando esse afastamento necessário.

Gostei muito. Belo!

Beijos :)
H.F.

Sonia Schmorantz disse...

Tens razão, às vezes é preciso distância para podermos olhar de outro modo, como quem olha de fora, para poder resolver depois o que fazer..
Um abraço

Joe_Brazuca disse...

Queridos Poetas, amigos do coração !

Só repito incansavelmente : GRATÍSSIMO, pelas vindas e opiniões sempre auspiciosas !

um abraço a todos

Joe

Jester disse...

Joe, muito bom mesmo! Visitarei mais vezes, acompanhando as novidades. vale a pena.

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