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Proibir ou não proibir o uso e comercio “legal” (tráfico) de drogas ?
Pergunte a uma mãe e pai, que vê seu filho se minguar dia após dia se enchafurdando numa lama existencial sem retorno, definhando seu corpo, seu caráter, seu raciocínio, perdendo a memória, aumentando seus comportamentos violentos, tornando-se irremediavelmente agressivo com todos a sua volta, indistintamente, sem amigos, só inimigos, que rouba tudo de casa para poder trocar pela dose do dia, da hora, do minuto, do segundo. Que perde os emprego, perde a escola, perde o convívio social, perde a vergonha, perde a auto-estima, perde o mínimo fio de vida, a não ser que seja para perpetuar seu vicio.
Pergunte aos familiares mais próximos, que vêem a disjunção e extermínio da célula familiar, onde se destroem valores mínimos e basilares, onde não há mais chão, e tudo gira unicamente em torno do doente e sua vida incondicionalmente restrita às drogas, ao vício.
Pergunte a pais, irmãos, avós espancados, mutilados e mortos, pela sanha de seus entes queridos, que ora tornam-se seus algozes, ao comando e domínio nefasto de seu vício, de sua garrafa, de sua “bagana”, de sua “farinha”, de sua picada, de seu “cachimbo”, de sua "balinha".
Pergunte aos hospitais, as associações de ajuda, as “ongs”, aos médicos, quanto se gasta dos erários públicos, para sustentar o tratamento de um drogado que pretende se reajustar.Pergunte o quanto demora até atingir-se um patamar aceitável de readmissão social, mesmo assim com o risco perene da recaída, geralmente mais arrasadora e letal.
Depois visite secretamente esses lares, esses lugares, esses esconderijos, esses poços sem fundo, e observe..,Observe atentamente o “universo paralelo” em que se encontram todos : doentes (dependentes), familiares, sociedade e conviveres.
Não basta ser “modernoso” e se derramar em toneladas de hipótese e/ou teorias de “tentativa e erro”, legando a gerações futuras a responsabilidade de arcar com a nossa irresponsabilidade, aqui e agora, por conveniência, preguiça e praticidade mórbida.
Tentar controlar o tráfico e uso de drogas, simplesmente liberando-as, ao “comércio controlado” e limitado (pura ficção minimalista do problema) , é como roleta de baile “funk” : coibi-se na entrada, mas perde-se o controle dentro do salão e principalmente a saída, depois que todos estiverem embriagados...É como institucionalizar o “varrer a poeira pra debaixo do tapete”...É o velho “tapar o sol com a peneira”...É o conhecido “por onde o Padre passa”, e assim por diante...
Somente uma revolução econômica-polico-social e principalmente voltada à EDUCAÇÃO de base, poderia , ao nosso ver, desencadear a médio e longo prazo, um controle real e efetivo do problema das drogas e seus correlatos, principalmente em países emergente, como o Brasil.
Por ora, tem-se que “pegar o touro a unha”, levantar as mangas e enfrentar a luta “corpo a corpo”, de casa em casa, de indivíduo à indivíduo.Proibir com responsabilidade não de um puritanismo utópico e desagregado, mas com políticas realmente humanísticas onde se tem como mote a boa e velha premissa : “Não deseje a ninguém, o que não quer para você mesmo”
O resto é “Pimenta no olho alheio, não arde...Porque aos tolos, para os espertinhos, é colírio...”



