Sou o que sou

Minha foto
Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
Mostrando postagens com marcador brasileiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador brasileiro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Hipérboles, jactâncias e esporros

(pro amigo poeta, Alvaro "Alcanu" Nunes)

tenho estado meio assim, meio assado
tenho andado meio voando, meio parado
completamente amuado, coitado
acho que estou acabado...
meio sentado, meio de pé
a merda da poesia estragou meu café...
lembrei dos bons anos do Pelé
nos tempos do Santos
dribles, olés, mil espantos
puta que pariu !
o negão era foda
todo inteiro, nada de coda
estopim, pólvora e pavio !
atravessa o campo na esteira
leva a pelota na chuteira
chega na meia-lua
chuta do meio da rua
e arrasa o barbante
levando a galera ao delírio
acachapada, som esfuziante...
uma noite “mezzo alice,
mezzo mozzarela, capice ?
um dia calamitoso, outro lambroso
meu pau amanheceu pomposo
(“raridade hoje em dia”, como
diria minha tia...)
que pena que estava sozinho
sem o meu benzinho
pra dar uma, duas, três
quem sabe de uma vez
ai ! que saudades de meus 25 anos
sem nenhuma sensatez !
que transava no ato
até de meia e sapato
ajudo o pequeno inseto
se piso nele, ele morre
um budista me ocorre
não tenho o direito a tal morte
tampouco à sua sorte
só por conta da diferença de porte
sou eleito por algum conceito
baita cheiro de perfume barato
mas ela me diz que sou gato !
ouvindo um samba do Cartola
porra...num me amola !
o pão frito queima na frigideira
enquanto aquela vaca
se penteia naquela penteadeira
agora, paro e penso, na boa
qual heterônimo me importa,
em qual barca me transporta
senão os de Fernando Pessoa ?
o dia está plúmbeo, muito turvo
mas que merda de cultura é essa
que me assola à beça
e quem por ela me curvo ?
que “manezinho plúmbeo”, meu !
use o cinza, cacete !
todo mundo entende e está acabado!
larga de ser porrete !
minha cara amassada de sono torto
meio vivo, todo morto
sonhei pesadelo morno
que torrava o saco no forno
indolente, indecente, inclemente
como deve ser qualquer pesadelo
só mistério , sem desvelo
me faz acordar ausente
tropeçando de madrugada
em cadeiras espalhadas na escuridão
do meu quarto inteiro
indo esvaziar , no banheiro
quem me dera ter um quarto de milha
ou um barco de longa quilha
num haras, oásis, harém
pra manter doce balanço
sem esforço pra meu alcanço
libidinoso vai e vem...
o piano está aberto do meu lado
talvez toque um clássico,
ou componha um fado
com uma letra à toa,
nada que lembre Pessoa
porque hoje, agora, é mais preciso
mesmo que abnegue todo juízo
me sinto meio andando, meio parado
meio assim, meio assado
pura desordem, puro enfado...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

quem ?...Eu ?...EU NÃO !!!


Eu não sou fama
Eu não sou fácil
Eu não sou fada
Eu não sou fala
Eu não sou faca
Eu não sou fase
Eu não sou fato
Eu não sou feira
Eu não sou freira
Eu não sou feio
Eu não sou fera
Eu não sou febre
Eu não sou fezes
Eu não sou fedô
Eu não sou fico
Eu não sou figa
Eu não sou figo
Eu não sou fido
Eu não sou foca
Eu não sou foda
Eu não sou fome
Eu não sou foto
Eu não sou fogo
Eu não sou folga
Eu não sou fole
Eu não sou fóssil
Eu não sou furo
Eu não sou fuga
Eu não sou fuça
Eu não sou fuá
Eu não sou fúfia...

Eu tô é muito fulo !!!


quarta-feira, 8 de julho de 2009

(des)Atos Secretos


Alcovas fétidas e emboloradas
Alcoviteiros indecentes
Amantes pornográficos
Déspotas cambaleantes
Vômitos elaborados
Cônegos encardidos
Átrios sujos e inexpugnáveis
Átrios em catacumbas
Estatísticas falsas
Documentos adulterados
Sussurros fraudulentos
Conluios sórdidos
Esquemas mundanos
Maledicentes
Excludentes
Expressões irreverentes
Déspotas incidentes
Legionários hipócritas
Estelionatários saprófitos
Passagens ocultas
Latrinas sorumbáticas
Encanamentos podres
Ratazanas clássicas
Hienas engravatadas
Cobras em gabardine inglês
Bodes em uísque escocês
Vacas cheirando francês
Mensagens subterrâneas
Conversas subcutâneas
Conselhos ardilosos
Comunicações subliminares
Acordos macabros
Amostragens deturpadas
Conchavos putrefatos
Mentiras enrustidas
Verdades escamoteadas
Corpos camuflados
Mãos sorrateiras
Línguas certeiras
Escárnios sorridentes
Perfumes inadimplentes
Olhares nauseabundos
Odores fétidos
Milhões de usurpados
Bilhões de dinheiros
Dinheiros desviados
Vidas desrespeitadas
acabrunhadas
vilipendiadas
Iludidos
Mal vestidos
Dentes pobres
Filhos perdidos
Filhos indigentes
Pessoas maltratadas
Povos execrados
extremamente doentes
Indiferentes...

Você viu o corpo ser posto no caixão ?
Você viu o corpo no caixão ?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Acaso




Maria vinha de carro
Maria vinha "de a pé"
Maria vinha de barro
Maria vinha José

José tinha um sarro
José tinha sua fé
José tinha pigarro
José tinha rapé

Maria queria jarro
Maria queria café
Maria queria cigarro
Maria queria ter fé

José queria Maria
Maria queria José
José queria um dia
Maria queria, pois é
Related Posts with Thumbnails