
Daqui 30 anos
minha pele está flácida
minha voz , tão plácida
minha cor, cara, pálida...
Daqui 30 anos
sorrio chorando
choro gemendo
gemo sorrindo...
Numa praça de toda Nossa Senhora
em qualquer Moema ou Ana Rosa
Esperando colunas deslocadas
de enfermo sem balanço nem prosa
vivo a vida e passeio sem demora
Daqui 30 anos
ando cambaleante
cambaleio calmante
acalmo andante...
Daqui 30 anos
discuto ouvindo
ouço mentindo
minto omitindo...
Vejo quadros pelas costas,todo a mostra
Mas procuro doce, gelo e melado
ouço música, vejo panos, cores e listra
passos em gramas escassas de mato pelado
árvores, tarôs, bares, mulheres e pistas
Daqui 30 anos
seguro esquivando
esquivo flanando
caio escorregando...
Daqui 30 anos
penso dormindo
sonho pensando
durmo sonhando...
Na esquina posa, como em Paris, “gendarme”
livros,revistas, sorvete, derrete anis e aspartame
No centro da praça reza a Matriz de Deus
de gentes, quimeras, crianças e filhos meus
que cruzam cadeiras, fileiras e doces liames
Daqui 30 anos
como pingando
engulo comendo
pingo engolindo...
Daqui 30 anos
minhas pálpebras mandam
minhas pernas tremem
minhas mãos se espremem...
Todas as telas de cores, peixes, rostos e pinos
repletas de torres, escadas, pombos e sinos
Sabor de batata doce branca e roxa
senhoras doceiras em rosa, que desabrocha
gentes de domingo, sentindo,
meninas, bichos, meninos...
Daqui 30 anos
meu tempo é fio
o fio é pavio
ao vento
relento
reinvento
e sento...
Daqui 30 anos...
A velha Negra de tez amarrotada, sorriso
vende encanto, enquanto açucares aprendidos
em senzalas passadas de outros alaridos
todo tipo de doce e amarguras e doloridos...
minha pele está flácida
minha voz , tão plácida
minha cor, cara, pálida...
Daqui 30 anos
sorrio chorando
choro gemendo
gemo sorrindo...
Numa praça de toda Nossa Senhora
em qualquer Moema ou Ana Rosa
Esperando colunas deslocadas
de enfermo sem balanço nem prosa
vivo a vida e passeio sem demora
Daqui 30 anos
ando cambaleante
cambaleio calmante
acalmo andante...
Daqui 30 anos
discuto ouvindo
ouço mentindo
minto omitindo...
Vejo quadros pelas costas,todo a mostra
Mas procuro doce, gelo e melado
ouço música, vejo panos, cores e listra
passos em gramas escassas de mato pelado
árvores, tarôs, bares, mulheres e pistas
Daqui 30 anos
seguro esquivando
esquivo flanando
caio escorregando...
Daqui 30 anos
penso dormindo
sonho pensando
durmo sonhando...
Na esquina posa, como em Paris, “gendarme”
livros,revistas, sorvete, derrete anis e aspartame
No centro da praça reza a Matriz de Deus
de gentes, quimeras, crianças e filhos meus
que cruzam cadeiras, fileiras e doces liames
Daqui 30 anos
como pingando
engulo comendo
pingo engolindo...
Daqui 30 anos
minhas pálpebras mandam
minhas pernas tremem
minhas mãos se espremem...
Todas as telas de cores, peixes, rostos e pinos
repletas de torres, escadas, pombos e sinos
Sabor de batata doce branca e roxa
senhoras doceiras em rosa, que desabrocha
gentes de domingo, sentindo,
meninas, bichos, meninos...
Daqui 30 anos
meu tempo é fio
o fio é pavio
ao vento
relento
reinvento
e sento...
Daqui 30 anos...
A velha Negra de tez amarrotada, sorriso
vende encanto, enquanto açucares aprendidos
em senzalas passadas de outros alaridos
todo tipo de doce e amarguras e doloridos...



