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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

In sonoris silentiosu

São findos os tempos de harpas.
Harpas carecem silêncio.
Já não há mais qualquer silêncio.
Emudeceram-se as harpas.
Não há mais ambiente
às harpas.

São tempos de tímpanos.
Que rufem, então
à pele tesa
Que vibrem e arrebentem,
represas;
Que desmontem torres.

São tempos de trompetes
Que soem, então, aríetes
Que lhes tirem as surdinas.
Que berrem em alerta
campana aberta, estridentes,
à toda irreverência.

Alardem-se as trompas
em quintas-menores
em trítonos diabólicos
arrepiantes e exatos
tocando o fim
dos tempos das harpas...

Esfolem todos os órgãos
em “tutti”, todos os foles
Que vibrem,
em todos os ventos
acordes diminutos,
dilacerantes...

Já são moucos os tempos de harpas...
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