Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Eco_lógica






um
semen
semente
um galho
um tronco
dois galhos
quatro folhas
quinze árvores
dezesseis galhos
dezessete troncos
dezenove florestas
trinta e cinco galhos
duzentas e dez folhas
trezentas e quatro flores
um milhão e cem mil galhos
cinco milhões e meio de florestas
toda vida
toda vida
toda vida
toda vida
toda vida
toda vida
todo um planeta..............................................

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Poemeto à fragilidade
















Há de ter-se, assim, palmar docilidade,
quão menos doces forem os tempos
ser dócil, requer-se linear habilidade
para se alcançar pleno adoçamento

Ser dócil, não é adoçar-se ao extremo
nem tampouco, faz-se o doce, tão fácil
pode-se ser grande, e parecer-se pequeno
bem como o olhar, auferir-se ao tátil

Quão frágil deverá ser o que verga,
mais tenaz se mostrará o caule e a flor
o dócil, vem de quem assim, o enxerga
tão mais doce que lhe seja o ardor

Se dóceis forem, esses  frágeis  versos
tão loquazes assim, lhes serão, docemente
com a força mansa destes ventos dispersos
espargir-se-ão aos quatro cantos, eloquentemente...

(para LF)

sábado, 29 de dezembro de 2012

um ano novo, de novo...




Quem acha que o ano novo é um “tudo outra vez”,
com sua licença, se engana redondamente. Eu, com meus botões,
penso um pouco diferente...

O ano novo é uma nova porção, de batata frita sequinha
uma toalha de mesa limpinha, com bordado de coração,
ou uma porção de abraço apertado, cheio de boa intenção.

Ano novo é seguir em frente, melhorando o nosso bom
e reparar os próprios erros da gente...
Se acertou, mostre como fez e compartilhe.
Se errou, admita...E para não repetir, reflita!

É cuidar do caminho, o seu próprio. E do outro quando necessário, com o mesmo carinho...
É convidar pra andar junto, mas também ser forte pra ter que andar sozinho...

É ficar alerta, com a mente aberta pra não ser enganado
pois nem sempre o outro estará bem intencionado...
É , com esforço, tentar perdoar, para que seja também perdoado...

É permitir-se ir à luta, não atrapalhando, do outro, a estrada
e preparar-se ao sol escaldante da vida, bem como longa invernada...

O ano novo poderá ser um “tudo de novo” ou realmente “algo de novo”...

Tudo depende, se é que me entende,
de algo mais abrangente, algo que façamos de diferente,
algo que venha com toda a força de vontade da gente! 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mensagem aos nossos pais




Mensagem aos nossos pais

São as madrugadas passadas em claro é que contarão esta estória.

Madrugadas de olhos bem abertos. Atentos a tudo e a qualquer mínimo movimento nosso.
São noites de mãos afagantes, respirares  cortados, suspirares contidos. De gestos comedidos.
Noites intermináveis, ao lado de nossas camas, com as mãos dadas com a gente, carinho na testa para aproveitar e sentir se estamos com febre.

São os olhares preocupados, mas ao mesmo tempo, olhares serenos, doces, que nos acariciam e nos dão alento, e tiram nossas dores.
Às vezes até funcionam melhor que os remédios, porque estes olhares tem componentes  que nenhum remédio possui : carinho, amor, força, e principalmente esperança.

São noites ao lado de nossos leitos, ou em casa, ou nos hospitais, nos embalando em seus colos acolhedores, sempre serenamente e sorrindo, a nos inspirarem confiança e bem estar, mesmo que por dentro vocês entejam chorando e temerosos de um porvir duvidoso.

Noites e dias com os dedos cruzados, ou em nossos dedinhos pequenos, nos segurando suavemente, mas com a força enorme de seus amores, ou cruzados em prece, a pedir ao Pai Maior, por nossa saúde, nossa cura, nosso restabelecimento, e, sobretudo, para ver-nos sorrir novamente e sempre, apesar de nem sempre estarmos aptos a sorrir, pelas nossas vicissitudes.

Mas, é com o som emanado de suas vozes, com a vibração espargida pelos seus corações, com as ondas de pensamentos positivos é que nos fazem ao menos tentarmos sorrir sempre, sejam quais forem os embaraços que nos possam afligir.

É nas superações diárias de obstáculos que por vezes nos parecem intransponíveis, que nos apoiam com sua força e sua garra arrebatadora, de sempre atingirmos um futuro mais promissor, ultrapassando dificuldades e alcançando passo a passo, as metas de nossas curas.

É no entrelaçamento de nossas almas, as almas de pais e filhos, é que toda esperança se renova  a cada noite mal dormida, a cada dia completamente dedicados a nós, e vivido para nós, ao nosso lado, sem esmorecer nem um segundo, mesmo que saibamos que, por dentro estejam padecendo mais ainda do que nós mesmos, em ver-nos sentir qualquer mínima dor.

Toda nossa recompensa maior vem do seu inestimável e incondicional amor a nós, nossos tão amados e inseparáveis pais.
Deus os abençoe em Sua infinita bondade, e que, de toda forma, nos uma para sempre, nesta corrente de amor, proteção, cura e carinho eternos!


(para o Hospital Infantil Darcy Vargas)


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Poemeto para estes nossos novos tempos...

Como na vida, por aqui, ou no "FB"
nada é mais do que antes,
tudo é velho, tudo se prevê
vem e passa, vira escombros

uma coisa se sobrepõe à outra
o que era novo e sui generis,
agora dá-se aos ombros...
Todo passado vai ao baixio
se afoga rapidamente,
soterrado inclemente,
vira puro extravio...
Por aqui, como na vida
quando vem o dito novo
o velho já é coisa banida...
o que agora se exorta
num átimo ,não mais nos importa
sucumbem-se em si mesmos
enterra-se e fecha-se a porta...



sábado, 1 de setembro de 2012

Trágica sina


Não nos façam loas, pois o vício da vaidade é faminto; Afastem-nos das aclamações mundanas, porque a nós, quem nos aplaude é menos; Desviem-nos os lampejares que espocam aos instantâneos brilhos efêmeros, os holofotes e tochas, pois os que nos reluzem nos adulam, de toda sorte, sobretudo; Não nos icem; Não nos sobejem à toa; Não nos cortejem; Não nos lambam os sacos, pois a morte é a mais certa das moradas, e tombaremos d’àquela loa, da última sobremesa dum banquete de soberbas. Os elogios sorridentes que nos parecem bem quistos são mal vindos, pois menos dias, se tornará escárnio, excremento e enfastio,  como sempre o foram, escamoteados. Os gritos histéricos da fama difamam. Trazem o sólito da mediocridade perene e instam os espelhos da obsolescência, às respostas fáceis - O óbvio; Não nos incitem à comiseração dos ímpios, pois somos eles mesmos, cada qual a seu tempo, os ímpios e miseráveis, que voltarão ao pó, do barro que viemos; Não nos traguem as nossas urinas enfumaçadas pelo chumbo das celebridades enfadonhas; Não nos louvem às caricaturas emergentes; Não nos dependurem aos cravos de uma cruz de aparências e conjecturas filosóficas; Não nos perpetuem em mausoléus de farinha, sal e estrume. Não nos guindem aos céus púrpuros de açoites permitidos; Não nos vejam nem nos olhem; Não nos ouçam nem nos escutem; Não nos acompanhem nem nos sigam. Não nos amem nem nos desamem. 



Isso é tudo o que temos e não queremos.
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