Sou o que sou

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Sampa, SP, Brazil
Sou terra, por ter razões. Sou berro, se aberrações. Sou medo, porque me dou. Sou credo, se acreditou

sábado, 31 de outubro de 2009

Hey, Joe !

(pra amiga Beatriz Mecozzi Moura, a poetisa CD...)



Quantas Itálias no sertão da Bahia
In concert (eu)Napolitanos
Saaras de dunas e cordas em sol maior
afrescos genéticos gitanos
Blue Eyes de gatos caatingas
Tem penas nas mãos
literal sedução de poesias
de Matisses , Pinéis , ventanias
qualquer Freud , alegria ! alegria !

Tenha pena de nós, oh ! Diva…
de Hendrix over the Phoenix


Psique de veios paulistanos
avenidas noturnas dormentes
de trens descarrilhos
retinas lunares em brilhos
nas baladas dolentes
de todos nós
quão andantes sós
rivotrílicas mentes

Tenha pena de nós, oh ! Diva…
de Hendrix over the Phoenix

Quantas hilárias no portão da agonia
dos infantes, marcos e pontes
que lhes bebem às fontes
vertigem, amor, alegoria
dual dualismo de dunas
Hello pussycat ! , de todas as plumas
refrescos de umbu, açaí ,
sushí, peixe cru ,mel de jataí
raiz forte, Itália do Norte
joga tuas letras, deixa-nos fortes
joga tuas telas, beija-nos à sorte

Tenha pena de nós, oh ! Diva…
de Hendrix over the Phoenix


Distortion guitarras em fogo
mocidade pra lá de Woodstock
Very(diana) crazy shock
tempos estáticos, malogro
caminhos paralelos reflexos
(des)encontros sem nexo
jogo-me em lúgubres teias
napalm ardem aldeias
Apocalíptica Nau
loucura transcendental
túnel do desvairío do tempo
homems de Neandertal...

Tenha pena de nós, oh ! Diva…
de Hendrix over the Phoenix

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Hipérboles, jactâncias e esporros

(pro amigo poeta, Alvaro "Alcanu" Nunes)

tenho estado meio assim, meio assado
tenho andado meio voando, meio parado
completamente amuado, coitado
acho que estou acabado...
meio sentado, meio de pé
a merda da poesia estragou meu café...
lembrei dos bons anos do Pelé
nos tempos do Santos
dribles, olés, mil espantos
puta que pariu !
o negão era foda
todo inteiro, nada de coda
estopim, pólvora e pavio !
atravessa o campo na esteira
leva a pelota na chuteira
chega na meia-lua
chuta do meio da rua
e arrasa o barbante
levando a galera ao delírio
acachapada, som esfuziante...
uma noite “mezzo alice,
mezzo mozzarela, capice ?
um dia calamitoso, outro lambroso
meu pau amanheceu pomposo
(“raridade hoje em dia”, como
diria minha tia...)
que pena que estava sozinho
sem o meu benzinho
pra dar uma, duas, três
quem sabe de uma vez
ai ! que saudades de meus 25 anos
sem nenhuma sensatez !
que transava no ato
até de meia e sapato
ajudo o pequeno inseto
se piso nele, ele morre
um budista me ocorre
não tenho o direito a tal morte
tampouco à sua sorte
só por conta da diferença de porte
sou eleito por algum conceito
baita cheiro de perfume barato
mas ela me diz que sou gato !
ouvindo um samba do Cartola
porra...num me amola !
o pão frito queima na frigideira
enquanto aquela vaca
se penteia naquela penteadeira
agora, paro e penso, na boa
qual heterônimo me importa,
em qual barca me transporta
senão os de Fernando Pessoa ?
o dia está plúmbeo, muito turvo
mas que merda de cultura é essa
que me assola à beça
e quem por ela me curvo ?
que “manezinho plúmbeo”, meu !
use o cinza, cacete !
todo mundo entende e está acabado!
larga de ser porrete !
minha cara amassada de sono torto
meio vivo, todo morto
sonhei pesadelo morno
que torrava o saco no forno
indolente, indecente, inclemente
como deve ser qualquer pesadelo
só mistério , sem desvelo
me faz acordar ausente
tropeçando de madrugada
em cadeiras espalhadas na escuridão
do meu quarto inteiro
indo esvaziar , no banheiro
quem me dera ter um quarto de milha
ou um barco de longa quilha
num haras, oásis, harém
pra manter doce balanço
sem esforço pra meu alcanço
libidinoso vai e vem...
o piano está aberto do meu lado
talvez toque um clássico,
ou componha um fado
com uma letra à toa,
nada que lembre Pessoa
porque hoje, agora, é mais preciso
mesmo que abnegue todo juízo
me sinto meio andando, meio parado
meio assim, meio assado
pura desordem, puro enfado...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

La puerta se cerro detrás de ti...

video
Nada adiantara a descompostura de “cubalibre” que havia tomado...
O perfume de Cabochard misturado ao de tabaco
ainda impregnava seu paletó listrado,
de casimira inglesa com corte italiano, como nunca antes...
E o toque crespo da meia de seda, interrompidos pela costura
por trás das coxas, e a descoberta da pele entre a cinta-liga
ainda lhe faziam transpirar avidamente...
Aquela noite seria uma tortura, inacabada...
Ainda mais sabendo que ela com sua volúpia exuberante
jazia nos braços de outro, a dançar as danças de pernas lascivas...
...a lembrança da imagem de seus olhos borrados
pelos fluídos da luxuria de um beijo lambido e indecente,
fazia-o morrer lentamente...

"La puerta se cerro detrás de ti..."

(trilha : "la puerta", de Luís Demétrio. Canta Roberto Yanéz.)

sábado, 17 de outubro de 2009

O bar do China, da esquina...



No bar do China, lá na esquina
tem pastel de todo tipo :
“Cáni, quezo, pamitu”
Tem rango comercial
arroz, feijão, bife e coisa e tal
Entra toda gente
velho, pobre, rico, menina
nem todo mundo contente
só quem traga uma cana
acaba e finge sorridente...
la no bar do China...
Tem “sulasquino de flango”
bem temperado
tem bêbado capengando,
trabalhador mal humorado
tem tempurá, muito engordurado
Dono e dona, chinês
Emplegado blazilelo, “baiano”
as vezes pinta até boliviano
mas sempre tem freguês
Tem mesa onde come tudo junto
pode até ser mesa pra defunto
depois de uma briga parida
ou, vai ver, de bala perdida...
No bar do China, la na esquina
tem todo tipo de gente
tem pastel, petisco e aguardente
menino moço, irreverente
mini-saia de bonita menina,
lá na esquina...no bar do China !

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Aquecimento Global : Blogagem Coletiva


· Numa palestra em algum lugar do mundo, foi perguntado qual o mineral mais valioso da Terra. 35% respondeu ser o OURO. 30% afirmou ser o DIAMANTE.25% concordou nos minerais radiativos.8%, na flora.2% , na ÁGUA.
Eis a importância do MINERAL MAIS IMPORTANTE DO PLANETA, no imaginário das pessoas...Quem desconhece o que lhe mantém a vida em sua mais palmar significação, que dirá do ar que respira, ou efeito-estufa, câncer de pele e que tais... O Homem aprende pelo amor ou pela dor...O livre arbítrio está à mesa...Contudo, a minha liberdade vai até onde começa a sua liberdade e vice versa...Todo cuidado é pouco e necessário.

· Sou de um tempo (e não faz tanto tempo assim...) em que as famílias, as pessoas se reuniam diariamente , após o jantar (Sim !...jantávamos juntos, numa mesma mesa...) pra contarmos uns aos outros, como foi o nosso dia. As vezes até discutíamos assuntos familiares...normal ! Daí, chegou a televisão, que tomou o seu lugar na “sala de visitas” (Visitas : pessoas que eram convidadas ou chegavam espontaneamente, pra compartilhar a conversação...). Diminuíram-se as conversas, pois desviram-se os olhares. Contudo, AINDA era bom. Ao menos, opinava-se coletivamente sobre algum programa, coisa e tal...Mas, piorou muito. A industria cresceu e os tentáculos do “conforto” do consumo se alastraram em nome de um “progresso” desmedido (mal distribuído e desgovernado, visando sempre um lucro exorbitante...), inundaram as casas com toneladas de televisores. Agora, esses aparelhos tomaram conta da casa toda. Estão nos quartos, na cozinha, no banheiro, ou onde voce quiser levar o seu apanágio...E as pessoas não se reúnem mais, nem pra jantar, e muito menos pra conversar. Cada quarto virou um mundinho.Cada qual no seu mundinho. Com seus televisores, frigobares, “videogeimes”, computadores, e zilhões de telinhas eletrônicas...

· Na minha cidade, se espremem 20 milhões de pessoas, e 5 milhões de automóveis. 90 % desses automóveis, invariavelmente, independentemente do horário tem apenas UM ÚNICO UTILIZADOR, ou seja, O MOTORISTA. De quem é a culpa disso ?...Minha culpa !...Eu acreditei no “carro próprio” como solução de transporte. Eu não cobrei dos meus governantes uma política de transportes públicos realmente eficiente e acessível à toda população...E deixei presidentes, senadores, deputados e vereadores se locupletarem à céu aberto do erário, cometerem todo tipo de abusos e corrupção, sem tomar nenhuma providência...MEA CULPA, MÁXIMA CULPA...

· Na minha cidade, existe apenas 3% de terra (terreno vivo, aberto) para cada moradia construída. Resultado : Façam o que fizerem, as enchentes continuarão e piorando a cada ciclo. Sem terra aberta e plantada, não há escoamento. Se e quando tivermos, nas megalópoles, APENAS 1 METRO QUADRADO de terreno não cimentado, para cada residência, daí quem sabe as coisas comecem a mudar pra melhor... AQUECIMENTO GLOBAL = AQUI, CIMENTO TOTAL !

· UM BILHÃO de seres humanos ainda passam fome no Planeta. A impotência disso ser resolvido pela sociedade como um todo, é alarmante.De um lado, um desperdício abissal. De outro, políticas desastrosas de distribuição de renda, lei de oferta e procura “coordenando” quem pode e quem não pode se alimentar. A hipocrisia corre solta, quando se fala da trilogia macabra entre o produtor, o ATRAVESSADOR e o consumidor. Isso sem comentar no “extermínio coletivo”, das toneladas que alimentos que são simplesmente jogados fora, a todo momento, simplesmente para que se mantenham os preços, e por conseguinte a escassez, a penúria e o descalabro da fome do mundo...

· São gastos milhões em pesquisas para energias limpas. Mas são gastos trilhões em busca de petróleo, envolvendo guerras, poder e um futuro sombrio (no mínimo...) em se falar nos níveis de poluição que essas “reservas” extraídas trarão para o mundo. O que manda, a bola de todas as vezes, é o poder e o dinheiro. Por enquanto, o resto é falácia. Mas...até quando ?

· Enquanto eu escrevia essas poucas (e talvez, moucas...) palavras, e enquanto você as lê, uma área equivalente a 5 campos de futebol, foi desmatada na floresta Amazônica...E milhares de crianças e idosos africanos (e demais continentes...) já morreram de inanição, de falta de atendimento médico, de abandono, de miséria, de desmandos sócio-políticos e de tristezas "gerais"...E os povos do “1º mundo”, já consumiram milhões de toneladas de hambúrgueres , refrigeradores, automóveis, muita comida industrializada, muito petróleo, muita gasolina, jogaram toneladas de chumbo na atmosfera, toneladas de plástico não reciclável, fabricaram milhões de toneladas de lixo, roupas de grife, computadores, televisores e...muita maconha, cocaína e apanágios correlatos !!!

“E assim caminha a humanidade, a passos de formiga e sem vontade”
– Lulu Santos ( um artista brasileiro)

“ O Homem é uma experiência que não deu certo”
– Millôr Fernandes ( um gênio brasileiro)
“Vontade sem conteúdo, não vale nada”
– de um publicitário

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

In sonoris silentiosu

São findos os tempos de harpas.
Harpas carecem silêncio.
Já não há mais qualquer silêncio.
Emudeceram-se as harpas.
Não há mais ambiente
às harpas.

São tempos de tímpanos.
Que rufem, então
à pele tesa
Que vibrem e arrebentem,
represas;
Que desmontem torres.

São tempos de trompetes
Que soem, então, aríetes
Que lhes tirem as surdinas.
Que berrem em alerta
campana aberta, estridentes,
à toda irreverência.

Alardem-se as trompas
em quintas-menores
em trítonos diabólicos
arrepiantes e exatos
tocando o fim
dos tempos das harpas...

Esfolem todos os órgãos
em “tutti”, todos os foles
Que vibrem,
em todos os ventos
acordes diminutos,
dilacerantes...

Já são moucos os tempos de harpas...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Meta : Morphus


Pouco me inspiram
as telas
Mais me transpiram
as velas

A musa que outrora
de rosto vívido
refletido em brilho
de versos
ora desvanece
sem purpura
nem brios,
diversos

Pouco me suspiram
as belas
Mais me aniquilam
os que advêm
delas

O rosto esculpido
que descia aurora
despido em tédio
disperso
ora entorpece
usurpa
sem vozes,
modesto

Pouco me inflamam
as guerras
Mais me devassam
os gestos obscenos
que berras

O olhar acenado
que luzia firme
e desenhava vida
olha em ponto
obscuro
antes, azulado
ora despediu-se,
foi embora, nulo
defenestrado

Pouco me abalam
os ventos
Mais me acariciam,
seus alentos...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

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